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Os testes para a Covid-19 são os nossos olhos e os nossos ouvidos

Os testes para a Covid-19 são os nossos olhos e os nossos ouvidos

Tem dúvidas sobre o novo coronavírus e não sabe o que deve fazer? A pneumologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho Raquel Duarte responde a algumas questões e deixa conselhos sobre a Covid-19.

O teste para a Covid-19 é a ferramenta mais importante na luta contra a sua progressão. Testar depressa e bem permite, como já tive oportunidade de dizer, o isolamento precoce dos infetados, o rastreio das pessoas expostas e o seu isolamento profilático, a implementação das medidas de saúde pública e a correta orientação dos doentes. Mas permite também conhecer o real impacto e evolução da pandemia no nosso país.

Nenhum país conhece o verdadeiro número de pessoas infetadas com Covid-19, só conseguimos estimar esse número a partir do total de pessoas com teste positivo (casos confirmados). Apesar de não ser possível ter a certeza sobre o número real de infeções, quanto mais testarmos mais confiança temos que os positivos são representativos da realidade.

Geralmente, esperamos que mais testes signifiquem dados mais fiáveis por dois motivos: em primeiro lugar, porque temos uma amostra maior de pessoas testadas (se toda a população fosse testada teríamos uma fotografia do número real de pessoas infetadas num determinado momento); em segundo, quando há poucos testes (seja por que razão for), há necessidade de reservá-los para os grupos de maior risco - que não são representativos da população em geral. Assim, quanto maior for a capacidade de teste, maior a probabilidade que as pessoas testadas sejam representativas da população em geral.

Um problema do uso do número de testes feito como indicador fiável da situação é que o número de testes necessários para ter uma imagem precisa varia ao longo de um surto. No início de um surto, em que o número de pessoas infetadas é baixo, é necessário um número menor de testes. À medida que o vírus infeta mais pessoas, a capacidade de teste tem de aumentar.

Outra forma de avaliar se estamos a testar menos do que devemos, levando-nos a suspeitar que os casos confirmados podem estar a subestimar o número real de infetados, é olhar para a letalidade. Esta estimativa baseia-se na proporção de casos confirmados que acaba por morrer pela doença - num país em que a capacidade de resposta dos serviços de saúde não está esgotada, um aumento deste valor parece ser uma indicação de que provavelmente o número real de casos será muito maior do que o número de casos confirmados.

Por isso continuamos a precisar de testar, testar, testar.

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