Legislativas 2022

Os vencedores e vencidos da noite eleitoral

Os vencedores e vencidos da noite eleitoral

Portugal deu ao PS a tão pedida maioria absoluta, mas António Costa não foi o único vencedor, com o Chega a conseguir chegar a terceira força política e a Iniciativa Liberal a crescer. Do lado dos vencidos, CDS e PEV ficam fora do Parlamento, e BE e PCP têm perdas eleitorais graves. Rui Rio admitiu a derrota e atirou a toalha ao chão.

António Costa: maioria absoluta à terceira tentativa

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O caminho não foi linear, mas o resultado foi o que pretendia: António Costa conseguiu uma maioria absoluta para o PS (e foi apenas a segunda vez que os socialistas conseguiram este feito). O poder absoluto foi inteiramente conquistado aos seus antigos parceiros de geringonça. Comunistas e bloquistas pagaram caro o chumbo do Orçamento do Estado, por um lado. E foram vítimas do fenómeno do voto útil, que não teve paralelo à Direita, por outro. Mas, independentemente das razões, Costa conseguiu um feito inédito na vida política portuguesa: uma maioria absoluta à terceira eleição e depois de seis anos a governar em minoria.

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João Cotrim de Figueiredo: Liberais a crescer nas zonas urbanas

Foi um dos vencedores à Direita. O voto útil no PSD não prejudicou os liberais, que conquistaram o voto mais urbano que acabou por faltar ao PSD. Foi eficaz em campanha (em particular nos debates) e ainda beneficiou da complacência de Rio, que nunca o tratou como adversário. Leia aqui.

Rui Tavares: manter o palco no Parlamento

O líder do Livre conseguiu manter o partido ecologista na Assembleia da República, substituindo Joacine Katar Moreira, que saiu em rutura. É uma vitória, quanto mais não seja porque lhe garante o palco de que um pequeno partido necessita como de pão para a boca. Leia aqui.

André Ventura: radicais com rédea curta

Nem a vitória de Costa ofusca o resultado do líder dos radicais de Direita. Não só se tornou o terceiro maior partido, como o fez, em muito círculos, à custa dos deputados do BE. E nem sequer terá de passar pelo teste de tentar viabilizar soluções de Governo. Tem rédea solta. Leia aqui.

João Azevedo: uma vitória do PS no cavaquistão

O PS cresceu em vários distritos, mas em nenhum outro a vitória terá sido tão saborosa como em Viseu, um sólido bastião social-democrata (lembram-se do cavaquistão?) que agora é socialista. João Azevedo perdeu no ano passado a corrida à Câmara. Mas ganhou agora novo fôlego.

Rui Rio: um líder sem utilidade na Oposição

Começou ainda ontem a abrir caminho à sucessão no principal partido da Oposição. Como disse o próprio líder social-democrata (primeiro em português e, depois, de forma um pouco bizarra, em alemão...), não se vê utilidade na continuidade da sua liderança, por mais quatro anos. Procurou destacar algumas pequenas "vitórias", como o facto de até ter conseguido mais votos em vários distritos. E de não deixar défice nem dívida, apesar da campanha falhada. E destacou, finalmente, que o resultado do PS se ficou a dever ao fenómeno "esmagador" do voto útil à Esquerda. Precisamente o que lhe faltou à Direita. Leia aqui.

Jerónimo de Sousa: o pior resultado de sempre

Foi o primeiro a falar e ainda quis deixar a porta aberta à convergência com o PS. Mas parece condenado ao fracasso. Foi o pior resultado de sempre dos comunistas em legislativas. Com uma nota adicional: o líder parlamentar, João Oliveira, também ficou de fora do Parlamento. Leia aqui.

Francisco Rodrigues dos Santos: O CDS acabou?

Um dos partidos fundadores da democracia portuguesa desaparece do Parlamento. E fica praticamente tudo dito sobre a liderança de Francisco Rodrigues dos Santos. Os centristas não conseguiram eleger um único deputado, mas na verdade não é surpreendente. Leia aqui.

Catarina Martins: perder para o Chega

Foi o maior desastre da noite. A líder bloquista reconheceu que a estratégia de Costa resultou, mas não perdeu muito tempo a assumir responsabilidades. A noite foi tão mais amarga quanto muitos dos lugares de deputado que o BE perdeu foram para os "racistas" do Chega. Leia aqui.

Inês de Sousa Real: um recuo doloroso

É certo que o PAN deixou de ter um grupo parlamentar. E não fosse a eleição da líder pelo círculo de Lisboa à 25.ª hora e o resultado podia ter sido mais cruel. É um recuo doloroso de um partido que não só perdeu um líder marcante, como se foi dilacerando em várias dissidências. Leia aqui.

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