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Pacientes curados vão ser seguidos para avaliar sequelas

Pacientes curados vão ser seguidos para avaliar sequelas

Num dia em que Portugal regista mais nove mortes por Covid-19, havendo agora 1144 vítimas mortais no total, a DGS anuncia que vão ser apresentados protocolos de acompanhamento de doentes recuperados.

Questionada, na conferência de imprensa desta segunda-feira, sobre eventuais sequelas em doentes infetados com o novo coronavírus, a diretora-geral da Saúde confirmou que, a nível internacional, tem sido comprovado que alguns infetados em estado grave ficam com sequelas a curto-prazo. Mas, por cá, terão de ser feitos estudos em vários hospitais, pelos médicos e com base nos relatórios clínicos dos doentes, que comprovem estas lesões permanentes, ressalvou.

Graça Freitas anunciou ainda que Portugal vai apresentar protocolos de acompanhamento de doentes recuperados para estudar o tipo de sequelas. "Vão surgir protocolos de 'follow up' [acompanhamento] destes doentes, com dois tipos: mais perto da saída do hospital, vão ser acompanhados pelos médicos dos hospitais que seguiram a patologia; depois, com o retorno à vida comunitária e dependendo das sequelas, serão seguidos pelos próprios médicos de medicina geral e familiar", explicou.

Quanto a pessoas que acusam positivo depois de deixarem de ter sintomas, Graça Freitas explicou que há partículas virais que ficam no trato respiratório superior, originando o resultado positivo para Covid-19, não havendo evidência de que esses fragmentos tenham capacidade para se replicar e originar novos casos.

Normas para a reabertura das creches

Questionada sobre as críticas que a reabertura das creches tem suscitado, a diretora-geral da Saúde - que começou a conferência de imprensa com um apelo à vacinação das crianças - disse que, sendo as regras de distanciamento social difíceis de impor aos mais pequenos, cabe aos adultos a tarefa de "fazer tudo o que permita diminuir o risco das suas brincadeiras".

A divisão de turmas, a existência de um colchão por cada criança, a imposição de um espaçamento de dois metros entre colchões e horários desencontrados para as refeições, também com distâncias, foram os exemplos de medidas de minimização de riscos dados por Graça Freitas, que recomendou o uso de máscara por professores e funcionários das creches e sublinhou não se poder "impedir o normal desenvolvimento das crianças". "Dar a maior segurança possível ao mundo dos pequeninos está na mão dos adultos", reforçou.

Sobre o caso da criança infetada que apresentou "sinais e sintomas compatíveis" com a Doença de Kawasaki, Graça Freitas disse estar "a evoluir bem", reforçando que esse é o único caso conhecido em Portugal.

Parecer técnico com preocupações sobre futebol

Do lado do futebol, onde também emergem críticas sobre a retoma, o secretário de Estado da Saúde disse apenas que "foi feito um trabalho muito próximo entre a DGS e FPF" e que as autoridades de saúde realizaram um parecer técnico onde estão explanadas as suas preocupações. "À Federação, cabe responder ao seu trabalho. Os níveis de responsabilidade estão muito bem definidos", acrescentou Lacerda Sales, notando que, "se cada uma das partes fizer o seu trabalho", tudo vai decorrer sem problemas. "Esses planos com a FPF são para minimizar o aumento de casos positivos", disse, por seu turno, Graça Freitas.

Meio milhão de testes desde março

O secretário de Estado da Saúde informou que, desde o dia 1 de março até agora, foram feitos 500 mil e 447 testes de diagnóstico à covid-19, sendo que os primeiros dez dias de maio contam com mais testes do que todo o mês de março, numa média de 13.100 testes por dia.

Aos sistemas de saúde continuarão a chegar, dos mercados interno e externo, dois milhões de máscaras cirúrgicas e 1,7 milhões de respiradores FFP2 e FFP3, acrescentou António Lacerda Sales, dando ainda conta de que 83,7% dos infetados estão em isolamento domiciliário e 2,9 em internamento (0,4 em Unidades de Cuidados Intensivos e 2,5 em enfermaria). A taxa de letalidade global da covid-19 em Portugal continua a ser 4,1%, subindo para 15,2% no caso de doentes com mais de 70 anos.

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