Confinamento

Pais concordam com fecho de escolas

Pais concordam com fecho de escolas

O anúncio do encerramento de todas as escolas e suspensão da atividade letiva por 15 dias merece a concordância de muitos encarregados de educação. Embora alguns não saibam com quem vão deixar os filhos, apoiam o fecho temporário das escolas em nome do bem maior que é a saúde.

Mário Gonçalves, de 45 anos, esperava a filha de oito anos à porta da EB1 Oliveira do Castelo, em Guimarães. "É uma chatice, mas eu concordo. Eles fazem educação física sem máscara, estão uns com os outros e é sempre um risco. É por um bem maior, que é a saúde", diz o encarregado de educação, abrigado da chuva, dentro do carro.

Ao lado de Mário, no lugar do passageiro, o filho de 15 anos ouvia atento. Até os pais encontrarem uma solução, é ele que vai ficar com a irmã de oito anos. "O meu filho anda no 3.º ciclo, como a escola dele também vai encerrar, vai para casa e vai segurando. Depois, ou eu ou a minha mulher vamos ter que ir para casa", admitia o pai, frisando que é preciso reforçar a sensibilização da população, pois no primeiro confinamento geral "as pessoas tiveram mais medo".

Junto ao portão da escola primária de Guimarães, Sara Araújo esperava o afilhado de oito anos. Também ela concorda com o fecho temporário das escolas pois "é pela segurança dos meninos e das famílias deles". No caso do afilhado de Sara, na primeira vaga, os pais conseguiram que pelo menos um ficasse em casa, em teletrabalho, a tomar conta do filho. Agora, provavelmente, vai acontecer o mesmo: "Na primeira vaga foi isso que fizeram, ou um ou outro conseguiram ficar porque o cargo que ocupam permite fazer teletrabalho e junto da entidade patronal conseguiram fazer esse acordo".

PUB

Quem também está em teletrabalho desde o ano passado é Leopoldo Silva. O encarregado de educação estava à porta da mesma escola, à espera do filho de oito anos, mas não previa que fosse fechar. "Estava à espera que fechassem só os mais velhos. Agora como é que vou fazer? Logo vemos, vamos ter de planear", confessa.

Para Leopoldo, o principal problema não é com quem deixar o menino, pois está em teletrabalho e conseguirá tomar conta dele. No entanto, sobram preocupações com a aprendizagem. "O encerramento da escola tem um ponto desagradável que é o facto de eu ter sentido que ele no último ano aprendeu pouco", revela o encarregado de educação, para quem há "uma diferença enorme" entre o ensino presencial e o ensino à distância por meios digitais.

Recorde-se que o primeiro-ministro anunciou, esta quinta-feira de tarde, que as aulas presenciais estão suspensas, a partir de sexta-feira e pelo menos durante 15 dias, em todas as escolas do país. As universidades, creches e ATL também vão encerrar durante o mesmo período.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG