Desconfinamento

País reabriu portas entre dúvidas e muitas saudades

País reabriu portas entre dúvidas e muitas saudades

Apelos à retoma: presidente visita Torre de Belém, primeiro-ministro almoça fora. A Confap defende que "situação nas escolas está mais controlada do que nas praias".

Foi um dia de matar saudades: de sair de casa para ir à escola, ver colegas, brincar no recreio ou beber um café na esplanada. O país está na segunda fase do desconfinamento. Cafés, restaurantes, lojas e museus reabriram com novas regras. As secundárias receberam mais alunos do que previam; as creches, as poucas crianças que esperavam. Confiança é a palavra de ordem que os diretores dizem querer "reconquistar" neste regresso às aulas presenciais. "Estamos numa maratona", frisa o presidente da República. Para o primeiro-ministro, "não nos podemos deixar vencer pela cura", apesar de "a primeira vaga ainda estar aí".

"Tivemos um enorme sucesso na contenção da pandemia e temos agora de ter um enorme sucesso em não estragar o adquirido na recuperação da economia", insistiu António Costa.

O primeiro-ministro começou o dia a tomar o pequeno-almoço numa pastelaria no bairro de Benfica, onde vive, e depois almoçou com o presidente da Assembleia da República num restaurante no Bairro Alto. Já o presidente da República foi visitar a Torre de Belém. Atividades antes banais, mas que agora marcam um forte apelo aos portugueses para que vençam o medo, pela retoma da economia.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) estima que cerca de 80% dos alunos do 11.º e 12.º voltaram esta segunda-feira às aulas. Um nível que, apesar de indiciar que um quinto pode ter faltado, está bem acima das previsões dos diretores. "É preciso reconquistar a confiança", frisa Manuel Pereira.

Para o presidente da Confederação de Pais (Confap), foi um dia "exemplar". É certo, admite Jorge Ascenção, que enquanto não houver cura haverá riscos, mas "a situação nas escolas está mais controlada do que nas praias ao fim de semana".

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Novo ano por decidir

A maioria das escolas reduziu a carga letiva dos alunos para desfasar horários, desdobrar turmas e não contratar mais professores, admite o presidente do Conselho das Escolas. A afluência dos alunos da Eça de Queirós, na Póvoa do Varzim , foi "ligeiramente inferior ao que desejava", mas a expectativa é que aumente nos próximos dias, acredita José Eduardo Lemos.

O regresso também ficou marcado por algumas escolas medirem a febre de alunos e professores à entrada, apesar de a prática não ser obrigatória nem constar das orientações da Direção-Geral da Saúde. Questionado, o Ministério da Educação não enviou respostas até ao fecho da edição.

No Liceu Camões, em Lisboa, que está em obras, ginásio e anfiteatro foram transformados em salas de aula. João Jaime Pires admite que a escola tem oito professores em grupo de risco que vão continuar a dar aulas apenas à distância. O diretor vai pedir a substituição desses docentes, embora tenha pouca esperança de conseguir preencher os horários já que, "em Lisboa, faltam professores de Português, História, Geografia ou Inglês desde janeiro". Sorte diferente teve José Eduardo Lemos que já conseguiu contratar um docente para coadjuvar a única professora que tem em grupo de risco.

A Federação Nacional de Professores voltou a acusar o Governo de falhar por não ter testado alunos, professores e funcionários antes da reabertura das escolas e pediu aos docentes "prudência acrescida". O que levou o ministro da Educação a responder que seria "importante" a Fenprof ir às escolas. "Para setembro, temos de continuar a preparar todos os cenários", disse Tiago Brandão Rodrigues, remetendo para a evolução pandémica um arranque de ano letivo presencial.

PSP comunica que regresso às aulas foi muito positivo

A PSP fez um balanço "muitíssimo positivo" do regresso às aulas. "Muito tranquilo, com todos a observarem as medidas de proteção e disponíveis para acolher as nossas indicações", disse Nuno Carocha, da Direção Nacional da PSP. A GNR não fez balanço, mas importa retificarmos uma informação incorreta publicada esta segunda-feira. A Guarda tem sob a sua responsabilidade cinco mil escolas e 650 mil alunos.

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