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Pais usam televisor e tablet para entreterem os filhos

Pais usam televisor e tablet para entreterem os filhos

O televisor, o tablet e o smartphone são usados, muitas vezes, pelos pais como "babysitter" para entreterem os filhos dos três aos oito anos, enquanto estão ocupados com outras tarefas.

O estudo "Crescendo entre ecrãs", realizado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) com o contributo científico da equipa de investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, coordenada por Cristina Ponte, e com um inquérito nacional da GFK, conclui que a generalidade das crianças portuguesas tem acesso a meios eletrónicos desde tenra idade.

O televisor é o meio dominante. 94% das crianças veem televisão diariamente em casa, ocupando-lhes 1.41 horas por dia de segunda a sexta. Ao fim de semana, o tempo de visualização é superior. O telemóvel smartphone e o tablet também estão ao dispor de boa parte dos menores dos três aos oito anos de idade. Os pais reconhecem que, muitas vezes, usam o televisor como "pano de fundo" ou "babysitter" dos filhos, enquanto cumprem outras tarefas.

Também o tablet e o smartphone desempenham igual papel, sendo um recurso dos pais para acalmar e distrair a criança durante as refeições, enquanto está a ser vestida, para adormecê-la e acordá-la e para premiar o bom comportamento ou o bom desempenho escolar. Aliás, 18% das crianças dos três aos oito anos possuem um telemóvel para uso pessoal, dos quais metade são smartphones.

99% das casas dos portugueses dispõem de televisor, 92% de telemóvel, 70% de computador portátil e 68% de tablet. "Estes equipamentos estão nos espaços comuns da casa, ao alcance das crianças e, em alguns casos, até lhes pertencem. As crianças apropriam-se dos dispositivos comuns e conseguem manuseá-los com facilidade", especifica a ERC. Em dois terços dos domicílios com tablet, as crianças usam o equipamento sem a vigilância dos pais e dos irmãos mais velhos e, em 63% dos casos, o tablet pertence-lhes.

No entanto, o estudo demonstra uma preocupação dos pais com os programas televisivos visionados pelos filhos e com a navegação na internet. No televisor, as crianças dos três aos oito anos veem, sobretudo, desenhos animados, programas infantis e familiares. O canal Panda está no topo das preferências. "O consumo de canais generalistas é superior em crianças integradas em famílias com menor escolaridade", atenta a ERC, dando conta de que 15% dos pais admitem ver "reality shows" com os filhos. Outros veem telenovelas, concursos de descoberta de talentos e noticiários em família.

"Na televisão, o que mais preocupa os pais são conteúdos violentos, linguagem inadequada e nudez/conteúdos sexuais", acrescenta. A maioria não aplica restrições técnicas ao visionamento, mas 81% dos progenitores proíbem o visionamento televisivo a partir de determinada hora e 63% interditam programas que não sejam adequados para a idade das crianças.

O uso da internet é mais controlado. Apenas 38% dos menores acedem à internet. No entanto, 75% sabem ligar os dispositivos eletrónicos à rede. As crianças que navegam na internet procuram conteúdos ligados à televisão, vídeos de desenhos animados e jogos. A utilização de redes sociais é residual, especifica, ainda, a ERC, por decisão dos pais, "que as consideram pouco adequadas atendendo à idade dos filhos".