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Países europeus numa corrida "sem regras" aos ventiladores

Países europeus numa corrida "sem regras" aos ventiladores

Fernando Medina garantiu a chegada a Portugal nos próximos dias de 78 máquinas vindas de Pequim. Autarca de Lisboa diz que assegurar encomenda foi "uma batalha intensa".

A compra de materiais hospitalares para combater o covid-19 tem sido feita "sem regras" e regida por "uma verdadeira lei da selva", denuncia o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina. A embaixada portuguesa em Pequim vai enviar, nos próximos dias, 78 ventiladores, para Portugal. A aquisição destes utensílios, fundamentais para salvar vidas, esteve, porém, perto de não acontecer. "Foram 24 sobre 24 horas de batalha continua para assegurar que a encomenda não era desviada para quem pagasse muito mais", explicou o autarca, em declarações à TVI.

Numa altura em que Itália, o país europeu mais afetado pela pandemia covid-19, escolhe quem salva por não existirem ventiladores para todos, Medina recorda a dificuldade que os países têm tido na aquisição destes materiais.

"É importante conhecer as redes de fornecimento e ser muito rápidos a agir. Tendo recebido a intenção de doação financeira a Lisboa tivemos que assegurar que a mesma se concretizasse. Foram dias intensos", diz ao JN, referindo-se aos 78 ventiladores, provenientes de Pequim, que chegarão nos próximos dias a Lisboa.

Segundo o autarca socialista, não tem existido cooperação entre os países europeus na aquisição de material, apesar de a Comissão Europeia ter afirmado que esta coordenação existiria. "A concorrência é fortíssima. A gestão do stock total, nomeadamente quanto a ventiladores, é feita pelo Governo", explica. "Nos mercados que produzem e comercializam estes equipamentos, em especial na China, a competição entre compradores é total. Há contactos ao nível dos Estados que estarão assegurados pelas vias oficiais. Nos outros casos, não há qualquer regra", explica Medina.

Os 78 ventiladores, após chegarem a Portugal, serão encaminhados para o Ministério da Saúde.

Produção nacional
Ontem, no debate quinzenal no Parlamento, António Costa Portugal anunciou parcerias com centros de investigação industrial e o setor têxtil, para o fabrico de ventiladores nacionais e de equipamentos de proteção.

"Tal como acontece nas economias de guerra, onde muitas das atividades industriais são reorientadas para produção de material bélico, também agora temos de reorientar muita da atividade tradicional para esta situação", sustentou.

No caso dos ventiladores, trata-se de uma parceria com o Centro de Engenharia e de Automóvel e Aeronáutica, que "está a trabalhar a 100% para um protótipo de um ventilador", que poderá permitir já nas próximas semanas a construção nacional destes equipamentos hospitalares.

Já com o Centro Tecnológico do Têxtil e do Vestuário, Costa disse que o Governo está a estudar que as empresas que estão paradas reorientem a produção para o fabrico de máscaras e outro equipamento de proteção individual."Este esforço é essencial não só para o curto prazo, mas por estarmos a percorrer uma maratona", alertou.

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