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PAN aprova criação de juventude partidária e limitação de mandatos

PAN aprova criação de juventude partidária e limitação de mandatos

Os militantes do PAN aprovaram a criação de uma juventude partidária e o aumento do número de membros que compõem a direção. A proposta, subscrita pelos três deputados do partido, venceu as duas concorrentes por larga maioria. A parlamentar Bebiana Cunha referiu que a "democraticidade" do PAN sai reforçada.

A proposta aprovada recebeu a concordância de 103 congressistas. A proposta A teve 12 votos a favor e a B apenas dois. De agora em diante, aos 27 membros efetivos da Comissão Política Nacional (CPN, a direção) irá juntar-se um representante eleito por cada distrital e por cada regional, bem como um eleito pela juventude do partido.

Bebiana Cunha referiu, durante a discussão, que a proposta vai trazer "uma maior participação distrital e regional". A parlamentar, eleita pelo Porto, acrescentou ser "fundamental" alargar o número de membros da CPN, de modo a garantir "maior pluralidade de visões" no órgão máximo do partido entre congressos.

Alguns membros do PAN têm vincado a necessidade de o partido aprofundar a democracia interna. Neste primeiro dia de congresso, os promotores das propostas A e B para a alteração de estatutos também expressaram essa preocupação.

Sobre a criação da juventude do PAN - muito aplaudida quando mencionada por Rafael Pinto, delegado que apresentou o documento -, Bebiana Cunha referiu que ela representará um "espaço de discussão" orientado para "os anseios e preocupações" de uma geração com um futuro "cada vez mais hipotecado".

A proposta aprovada determina ainda que o porta-voz do partido passe a não poder desempenhar mais de três mandatos consecutivos - ou seja, seis anos no total. André Silva, que este sábado deixou a liderança do PAN, estava no cargo há sete anos.

Relações familiares aquecem congresso ameno

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No entanto, o tema que dominou a manhã foi uma das propostas contidas no documento A. No artigo 31.º, os subscritores pretendiam negar a "presença simultânea no mesmo órgão do partido" a irmãos, "cônjuges ou equiparados" e pessoas com uma "relação de interdependência financeira".

O primeiro subscritor da moção em causa era Luís Teixeira, antigo candidato autárquico a Setúbal. O congressista garantiu não querer "lançar suspeitas sobre práticas atuais", mas sim que o partido "se prepare" para eventuais ataques. "À mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo", argumentou.

No entanto, a proposta não colheu aceitação. Bebiana Cunha foi uma das opositoras: "Não me parece de todo uma proposta que vise o ideário PAN", afirmou. "É evidente q me demarco dessa proposta", acrescentou, referindo que ela "traz suspeição".

Um outro congressista, que se apresentou como sendo "judeu e anti-sionista", afirmou que o artigo em causa encarna o "espírito de Nuremberga", aludindo aos congressos nazis.

Também lembrou que Mariana e Joana Mortágua, do BE, desempenham ambas cargos de dirigente naquele partido sem que isso levante qualquer celeuma. Recordando que várias estruturas regionais do PAN têm cariz familiar, o mesmo militante referiu que aprovar a referida proposta seria dizer: "casais e irmãos, não estejam no PAN".

A proposta B, que apenas recebeu dois votos, elegia o número de membros do CPN como maior divergência face à C. Carolina Almeida, a primeira signatária, referiu que a falta de participação das distritais na direção é uma "profunda lacuna que afasta a democracia" no partido. No entanto, embora defendesse um reforço do poder das regiões, propunha que a CPN mantivesse os 27 membros.

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