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PAN exige regresso de debates quinzenais. Rio recusa política de espetáculo

PAN exige regresso de debates quinzenais. Rio recusa política de espetáculo

O último frente a frente nas televisões sentou PAN e PSD na mesma mesa. Um encontro que pode ser repetido no Parlamento, caso o PSD vença as eleições sem maioria e o PAN mantiver a disponibilidade para negociar.

Mas há linhas vermelhas de ambos os lados: Rui Rio rejeita "fundamentalismos" na caça e na pesca; Inês de Sousa Real quer repor os debates quinzenais e travar a plantação de eucaliptos.

A líder do PAN escapou à questão do moderador da RTP1: não disse se prefere ver Rui Rio ou António Costa como primeiro-ministro. Sousa Real colocou a tónica no seu programa: "para o PAN é fundamental é fazer avançar as suas causas", sem cruzar as suas linhas vermelhas. O regresso dos debates quinzenais (que PS e PSD aceitaram acabar) é uma das exigências. Sousa Real criticou ainda o bipartidarismo, que quer combater.

Rui Rio saudou a disponibilidade do PAN para negociar, mas desvalorizou a questão dos debates: "aquilo não visa um esclarecimento, visa um espetáculo mediático" e insistiu que o importante é a presença de determinado ministro para responder a questões relacionadas com a sua tutela. Sobre o bipartidarismo, o social-democrata encara com naturalidade: "81% da AR são deputados do PSD e do PS, é evidente que em muitas circunstâncias votem do mesmo lado".

Linhas vermelhas podem impedir acordo

Em matéria de impostos, os partidos também divergem. Sousa Real quer acabar com "borlas fiscais" para empresas poluentes. "Quem mais polui, deve pagar mais", disse. Rui Rio afirma que a prioridade é "inverter a política económica", apostando na produção. Rio afirmou que as medidas económicas do PAN iriam colocar Portugal "num estado ainda pior". A líder do PAN ripostou: "o dinheiro existe, ele está a ser mal aplicado". Sousa Real lançou o repto ao PSD: as PPP gastam três vezes mais do que o suposto e os contratos poderiam ter sido revistos, mas o PSD não o fez no Parlamento.

O PAN insistiu no travão aos eucaliptos, para o PSD Portugal deve investir na plantação de árvores de crescimento rápido em terrenos não usados: onde começam cerca de 25% dos incêndios, disse Rui Rio. Para os terrenos estarem limpos, têm de gerar "alguma rentabilidade", conclui. Para Inês de Sousa Real, isso é fazer de Portugal "uma caixa de fósforos prestes a arder". O Estado deve apostar numa "gestão florestal adequada, eficiente", que combata a "perda de biodiversidade", disse.

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Para o PAN, o fim dos debates quinzenais são um "retrocesso incompreensível por parte do PSD". Rui Rio recusa ter desprezo pelo Parlamento, em resposta às afirmações da líder do PAN. "Para mim a política tem de ter credibilidade, tem de ser feita com seriedade (...), e sem espetáculo", disse o líder do PSD. Inês de Sousa Real foi curta e mordaz na resposta. "Então não dê a mão à extrema-direita", disse.

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