O Jogo ao Vivo

Conferência JN

Pandemia assimétrica com lições para guardar 

Pandemia assimétrica com lições para guardar 

"A pandemia é global, mas não é simétrica", sendo o impacto económico e a recuperação distintos conforme o país e setor de atividade, sublinhou Paulo Portas, antigo vice-primeiro-ministro de Portugal, na palestra "Pandemia e Economia: centrado nas lições aprendidas e soluções pragmáticas".

Em termos económicos, a Ásia "recuperou mais depressa" e deverá ser a "única grande economia a crescer em 2020, ainda que muito modestamente", salienta Portas. Nos Estados Unidos, "a quebra da economia será metade do que se previa", na ordem dos 4%. Aquele país até "já recuperou 12 dos 21 milhões de empregos perdidos desde maio", graças ao "dinamismo" da economia. No caso da Europa, porém, a segunda vaga "pode por em causa as poucas melhorias". Em Africa, é provável que o problema de saúde dê origem a uma "grande pandemia económica".

A pandemia é, também, por exemplo, assimétrica quanto aos impactos nos vários setores económicos. Aqueles ligados ao turismo "demorarão mais tempo a sair da crise", vaticinou.

Sistemas de reação mais rápidos

Diz Paulo Portas que "quem agiu depressa, recuperou mais depressa. Quem antecipou decisões e não hesitou muito foi quem conseguiu que a recuperação económica chegasse mais cedo". E porquê é que a Ásia agiu depressa? Porque "aprendeu a lição" e "tinha memória da pandemia de 2003", pandemia essa que levou à "produção de um código legislativo, um código político e de reação rápida", explica.

PUB

A questão pertinente, acrescenta Portas, é agora saber se "Estados Unidos e Europa aprenderam com esta pandemia, de forma a terem sistemas de reação muito mais rápidos e adaptados", caso o mundo volte a enfrentar problemas desta natureza.

Na palestra de encerramento da conferência que o JN organizou no Centro de Congressos de Aveiro, houve ainda tempo para uma reflexão sobre o país. Segundo o ex-vice-primeiro-ministro, por cá, é preciso perceber onde devem ser alocados os fundos para potenciar a recuperação económica. Em Portugal, refere, "as empresas empregam 80%". Mas no plano de resiliência e recuperação, a "esmagadora maioria dos recursos são consumidos pelo Estado, ainda que a bem da sociedade", ressalva. Portas lamenta que "não haja programas suficientemente efetivos e ambiciosos" para ajudar as empresas a sair desta crise, talvez até mais inovadoras.

Outras Notícias