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Sinistralidade

Pandemia trava acidentes mas junho já teve mais mortos na estrada

Pandemia trava acidentes mas junho já teve mais mortos na estrada

O número de acidentes rodoviários diminuiu no primeiro semestre do ano, em comparação com 2019. Porém, no pós-confinamento já houve mais mortes na estrada. Para Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, "os indicadores deste verão são muito preocupantes".

Este ano, a sinistralidade rodoviária registou a maior queda durante o mês de abril, quando Portugal esteve sob efeito do segundo e do terceiro estados de emergência devido à covid-19.

Em relação ao período homólogo de 2019, foi uma diminuição de 67,4%: de 2682 ocorrências, no ano passado, passou-se para 874.

Assim, no final dos primeiros seis meses do ano, houve 11501 acidentes em Portugal continental, menos cerca de cinco mil, correspondente a uma redução de 31%, segundo um balanço provisório da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), apresentado esta segunda-feira. Ainda que, em fevereiro, se tenha registado um aumento de 3,2%.

O número de vítimas mortais também baixou, tendo passado de 226 óbitos, em 2019, para 167, este ano. Porém, no mês de junho, alterou-se a tendência decrescente: já há mais quatro mortos, num total de 36.

De acordo com o presidente da ANSR, Rui Ribeiro, tendo em conta que a descida do número de mortes não acompanhou na mesma grandeza a redução da quantidade de acidentes rodoviários, então verifica-se "um aumento da gravidade da sinistralidade".

"Os indicadores deste verão são muito preocupantes, porque estamos a voltar aos indicadores [habituais]", disse o responsável pela ANSR, numa conferência de imprensa no Ministério da Administração Interna (MAI), em Lisboa, onde frisou que, com base em alguma informação provisória relativamente a julho, "os números não indiciam um bom caminho - há mais acidentes, mais vítimas e um crescendo do índice de gravidade [que resulta da divisão do número de mortes por 100 acidentes com vítimas].

Rui Ribeiro disse que "neste verão as coisas estão a mudar novamente e o índice de gravidade e sobretudo o número de acidentes com vítimas graves, das quais resultam vítimas mortais, está a aumentar".

Devido ao grave acidente na Segunda Circular, em fevereiro, em que três jovens perderam a vida quando circulavam a 300 Km/hora, o concelho de Lisboa é o que tem maior cifra negra semestral, assim como o próprio distrito [2620]. Seguem-se os distritos do Porto [2072] e de Braga [1034], sendo que os de Viana do Castelo e Castelo Branco registaram um aumento de feridos graves.

Das 167 mortes, a maioria ocorreu devido a colisões [97], seguidas de despistes [94] e atropelamentos [31]. Os acidentes aconteceram maioritariamente dentro das localidades e menos de 5% em autoestradas.

A sexta-feira foi o dia em que, em média, se deram não só mais acidentes, como o que teve maior número de mortes e de feridos ligeiros. Os feridos mais graves registaram-se mais ao domingo.

A altura do dia mais fatal para os vários indicadores, tal como em 2019, foi o período entre as 15 e as 18 horas, seguido do das 18 às 21 horas.

Apesar de a grande maioria dos acidentes, e de mortes, ter acontecido com bom tempo, deu-se um aumento de 20% relativamente às ocorrências em dias de nevoeiro. Já a chuva registou-se um aumento de 44,4% como fator de sinistralidade.

Fiscalizações feitas por radares bateram recordes

Houve um aumento de 29,1% número de condutores e veículos fiscalizados, num total de 55, 320 milhões. Em 2019, tinham sido 42,8 milhões.

Daqueles 55,3 milhões, mais de 54 milhões corresponderam a um controlo feito por radares. Sendo que a maior fatia corresponde aos que são propriedade da ANSR e integram o sistema de radares fixos (Sincro).

Já os radares da GNR e PSP registaram uma diminuição de fiscalizações. A Polícia Municipal de Lisboa, que teve um trabalho acrescido durante a fase de desconfinamento por a região não ter evoluído da mesma forma que o resto do país devido aos surtos de covid-19, aumentou a sua fiscalização por radar 52,4%, tendo registado 381 mil veículos.

Porém, aquelas 55,3 mil milhões fiscalizações só resultaram em 630 mil infrações, das quais 64,7% se deveram a alta velocidade.

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