Saúde mental

Pandemia vai gerar mais ansiedade e stress, mas há um lado positivo

Pandemia vai gerar mais ansiedade e stress, mas há um lado positivo

Isolamento social não deverá causar sérios problemas de saúde mental. Passar mais tempo com a família é uma das vantagens.

O alarmismo social pela pandemia do novo coronavírus, o isolamento de quem está infetado ou em quarentena e o fecho das escolas vai levar ao aumento da ansiedade e níveis de stress na população, dizem especialistas, que alertam contudo que não há risco de desenvolver perturbações de depressão. E até há um lado positivo: as famílias vão ter tempo para atividades em conjunto, mesmo que dentro de casa.

"As pessoas vão sentir mais stress, ansiedade e tensão. Mas o alarme é necessário face ao risco que vivemos neste momento." Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos, não tem dúvidas do impacto que o Covid-19 terá na saúde mental da população, mas alerta: "É importante aceitarmos que isto é normal".

Governo, Direção-Geral da Saúde e autarquias apelam a que os portugueses fiquem em casa e há quem esteja isolado por ter contraído o vírus ou por ter estado exposto ao risco. Ainda assim, garante o psicólogo, "é pouco provável desenvolver uma perturbação de saúde mental, como a depressão". "Nos casos de isolamento, há mais irritação, tristeza, e se for muito prolongado poderão ter dificuldade em retomar as rotinas e as suas relações", esclarece o bastonário.

Não faltar às consultas

Um recente estudo publicado na revista "The Lancet" identifica o desconhecimento quanto à duração da epidemia, o medo de estar infetado, a frustração, o tédio, o pouco acesso a informação e as possíveis perdas financeiras como o fatores de maior stress.

Ainda assim, também o psiquiatra Daniel Sampaio defende que não há risco de desenvolver perturbações de depressão. Mas adianta que "se a pessoa tiver já uma doença mental diagnosticada, poderá agravar-se". "Quem sofre de depressão, não deve faltar às consultas, nem que seja por telefone ou Skype".

Com o encerramento de praias e parques, as limitações em restaurantes e centros comerciais, as corridas ao supermercado, Daniel Sampaio avisa que "o alarmismo social faz com que as pessoas tenham comportamentos irracionais", sendo importante "ajudar as pessoas a aceder a informação credível".

Birras são normais

Amanhã, mais de dois milhões de pais e filhos estarão em casa, com recomendações para evitarem as saídas.

"Como os adultos, as crianças também vão manifestar tristeza, medo, confusão, vão fazer mais birras. E é normal. Cabe aos pais serem ainda mais compreensivos e pacientes. A tranquilidade que demonstrarem vai moldar o comportamento das crianças. E é importante que lhes seja explicado o porquê deste isolamento e que é algo que não vai durar para sempre", sublinha o psicólogo Miranda Rodrigues, que diz que as famílias poderão "realizar atividades para as quais habitualmente há pouco tempo".

Aliás, Daniel Sampaio diz mesmo que esse é o lado positivo: "Isto vai trazer uma vantagem muito importante, pais e filhos a conversarem uns com os outros, algo que se faz pouco nas famílias ".

A formacomo crianças, adultos e idosos reagem à situação atual pode variar e o psicólogo Francisco Miranda Rodrigues diz que as populações mais dependentes terão uma maior sensação de insegurança. Os idosos menos autónomos terão uma menor sensação de controlo sobre a situação e vão sentir-se mais ansiosos. "Mas estas pessoas têm a vantagem de já terem passado por muitas crises na vida e têm ferramentas para lidar", diz. No que toca às crianças: "Se são ainda muito dependentes, o impacto vai resultar da sensação de segurança que lhes é dada pelos pais". Um estudo publicado pela revista britânica "TheLancet" revela que o fecho das escolas tem consequências na saúde física e mental das crianças. "As evidências científicas mostram que nos fins de semana e férias, as crianças são fisicamente menos ativas, passam muito mais tempo nos ecrãs, e têm rotinas de sono irregulares.". A publicação acrescenta que os efeitos negativos - como stress, frustração e medo - aumentam quando estão fechadas dentro de casa, privadas de atividades no exterior e de interação com os colegas. E refere ainda que os níveis de stress no pós-isolamento "são quatro vezes maiores em crianças que tenham estado em quarentena".

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