Recuperação

"Paraministro" de Costa quer mais Estado na economia

"Paraministro" de Costa quer mais Estado na economia

António Costa e Silva, o "paraministro" escolhido por António Costa para delinear o plano de recuperação da economia, quer modernizar as infraestruturas físicas e digitais do país. Defende que o "papel fundamental" da recuperação económica cabe às empresas, mas deseja "uma intervenção forte do Estado".

O Estado é "o último protetor contra todo o tipo de ameaças" e "esta crise mostrou que o seu papel tem de ser valorizado". Foi assim que Costa e Silva resumiu, este domingo à noite, em entrevista à RTP, a sua visão para o período pós-pandemia, cujo objetivo imediato é "salvar a economia e proteger o emprego".

No entanto, o presidente-executivo da Partex deixou claro que é "favorável aos mercados" e que o setor público tem de estar em "equilíbrio" com o privado. "O papel fundamental desta recuperação é das empresas", resumiu, uma vez que "são elas que criam riqueza e geram prosperidade".

Estradas, portos, energia e SNS

Costa e Silva disse que a sua visão para o país comporta "alguns eixos fundamentais". O primeiro é "apostar nas infraestruturas físicas do país e modernizá-las todas".

Esse plano passa por "qualificar a rede viária", "intervir muito no sistema de portos" - que considera "fundamentais para alavancar as exportações" -, as infraestruturas "que têm a ver com a energia e o ambiente", nomeadamente a REN, e a gestão do sistema de distribuição da água.

O SNS, acrescentou, deve ser o destinatário de um dos "investimentos emblemáticos" a realizar, de modo a tornar-se ainda mais capaz a nível de equipamentos e recursos humanos.

"Acelerar a transição digital"

O segundo eixo, revelou o "paraministro", é "acelerar a transição digital", estendendo a fibra ótica a todo o território nacional. As escolas, instituições onde "o país ainda é muito desigual", também deverão ser reequipadas de modo a materializarem esta modernização.

Costa e Silva defendeu ainda a implementação, junto de escolas, universidades, centros de investigação e Administração Pública, de "uma galáxia de pequenos projetos que permitam aumentar a qualificação e as competências digitais".

A mesma receita deve ser seguida, segundo o gestor, nas pequenas e médias empresas, uma vez que o impacto na economia seria "brutal".

O plano foi, segundo António Costa e Silva, "concebido para a próxima década" e será parcialmente financiado através do Fundo de Recuperação da União Europeia. O gestor desvalorizou as críticas de que foi alvo por parte de alguns partidos que disseram que não estavam disponíveis para se sentar à mesa com ele (como BE, PCP e CDS), e garantiu ter muito respeito pelos partidos.