Covid-19

Partidos à saída da reunião no Infarmed: mais esperançosos, mas preocupados com vacina

Partidos à saída da reunião no Infarmed: mais esperançosos, mas preocupados com vacina

Os partidos políticos assinalaram esta quinta-feira a evolução positiva da epidemia de covid-19 em Portugal, mas também alertaram para a importância do plano nacional de vacinação, que se admite poder começar no início de 2021.

Partido Socialista sai "uma esperança diferente" da reunião

O PS, através da deputada Maria António Almeida Santos, disse que saia da reunião com especialistas no Infarmed, em Lisboa, com "uma esperança diferente", dado que há "boas notícias", com uma diminuição de casos, além da "nova esperança de existir agora uma vacina.

Sublinhou que as vacinas que Portugal prevê aplicar são "seguras" e fez um apelo às pessoas para que não tenham medo de ser vacinadas, dado que os "benefícios sobrepõem-se aos riscos da não vacinação"

PSD exige mapeamento dos lares

Ricardo Baptista Leite, do PSD, afirmou que "não se compreende" que o Governo ainda não tenha procedido ao mapeamento dos lares. O deputado sustentou também que o Natal poderá acarretar uma subida de novos casos de covid-19. Baptista Leite disse que o Governo já deveria ter apresentado um plano para os lares de idosos, visto que é nestes que se verifica uma das maiores incidências do vírus.

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O parlamentar lamentou que esse "mapeamento" ainda não exista, tanto no caso dos lares legais como nos ilegais. Para Baptista Leite, a medida seria fulcral para garantir a "evacuação imediata" desses estabelecimentos em caso de surto pandémico.

O social-democrata referiu que o "risco" previsto para a altura do Natal provoque uma nova subida de casos e, com ela, o intensificar de "efeitos catastróficos" a nível socio-económico.

Ricardo Baptista Leite também referiu que, segundo os especialistas, o ano de 2020 deve acabar com cerca de dois a três mil casos diários de covid-19. Segundo o deputado, isto vai exigir um "esforço gigantesco" dos serviços de saúde em Portugal. Ainda assim, Baptista Leite congratulou-se com o facto de o país ter "invertido" a tendência de crescimento do número de novos casos, "muito à conta" das melhorias registadas na região Norte.

BE pede que não se esqueçam as outras doenças

Moisés Ferreira, do Bloco de Esquerda (BE), também se referiu aos números, mas fez o aviso de é preciso que o plano vacinal seja "verdadeiramente universal" e "vá ter com as pessoas", nomeadamente as que vivem em zonas do interior.

O deputado bloquista defendeu ainda que, "não obstante o plano de vacinação", é preciso manter as medidas de apoio às atividades económicas que "foram muito prejudicadas com a covid-19" desde março.

E pediu que não se esqueçam os portugueses que sofrem de outras doenças, pela necessidade de manter "a atividade programada", alertando que "há uma enorme vaga de problemas de saúde mental" decorrente dos efeitos da pandemia.

PCP alerta para desconfiança relativamente à vacina

O PCP, pela voz do dirigente Jorge Pires, começou por retirar a conclusão de que "há um decrescimento do número de casos, há uma curva que começa a ser claramente descendente", mas esse processo "começa a acontecer antes da declaração do estado de emergência", ao qual os comunistas se opõem.

Sobre a vacinação, o PCP está preocupado com o facto de existir "um número muito significativo de portugueses que ainda tem uma grande desconfiança relativamente à vacinação", citando os números dados pelos especialistas de que "mais de 50% diz esperar muito para depois tomar a decisão de se vacinar".

Jorge Pires espera ainda que este processo seja assegurado pelo SNS, evitando assim que "se crie mais uma oportunidade de negócio para os privados".

CDS quer que vacinação seja prioritário nos mais vulneráveis

António Carlos Monteiro, dirigente do CDS-PP, apontou "sinais de esperança" pelo calendário de vacinação se poder vir iniciar em janeiro, explicando que os princípios deste plano foram enunciados de forma muito genérica na reunião, reiterando os centristas que "a prioridade devem ser os mais vulneráveis".

Para o partido, fica uma "interrogação sobre o Natal", explicando que o CDS-PP "gostaria de conhecer as regras que vão ser apresentadas para o Natal antes de se votar o estado de emergência", o que não é o que está previsto já que a votação acontece no parlamento na sexta-feira e as medidas são anunciadas pelo primeiro-ministro no sábado.

PAN diz que deve imperar bom senso no Natal e Ano Novo

Pelo partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), a deputada Bebiana Cunha também se referiu à descida dos números - "já estamos numa encosta" -, embora considerando que isso não deve levar as pessoas a "baixar os braços".

E pediu que as medidas a ser adotadas para as festividades de Natal e Ano Novo devem ser "proporcionalidade, clareza e bom senso", devendo, igualmente, serem explicadas "com clareza" pelo Governo.

Sobre a vacina, afirmou que uma das preocupações do PAN são "os critérios", tendo a deputada recebido garantias de que poderão alterar-se, mas que "acompanharão a evidência científica".

Iniciativa Liberal diz que plano de vacinaação "começa mal"

O deputado João Cotrim Figueiredo, considerou que o plano de vacinação, a ser apresentado esta quinta-feira, "começa mal" por aquilo que já se sabe.

"Começa mal porque exclui as farmácias, os laboratórios, o setor privado da administração de vacinas, numa altura em que vamos ter que administrar vacinas a pelo menos cinco ou seis milhões de portugueses para adquirir imunidade de grupo e sendo que a maior parte das vacinas exige duas doses, estamos a falar de 10 ou 12 milhões de atos médicos simples, mas consumidores de tempo, que não são compatíveis com manter um plano de vacinação exclusivamente no SNS", criticou, avisando para as listas de espera que se vão criar e que estas "custarão vidas".

Chega diz que pandemia foi "politicamente administrada"

Pelo Chega, o vice-presidente António Tânger Correia criticou que o facto de a pandemia estar "a ser politicamente administrada e não administrada de acordo com os critérios fundamentais da saúde pública".

"Votámos contra o estado de emergência e votaremos sempre e estaremos contra este tipo de medidas porque consideramos que não são medidas adequadas à situação de pandemia que nós vivemos", disse, referindo-se às medidas adotadas, de confinamento a tempo parcial.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, saiu da reunião sem falar aos jornalistas, a tempo de chegar ao Palácio de Belém, em Lisboa, para iniciar a ronda de audições com os partidos, que começou com a Iniciativa Liberal, às 14 horas.

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