Covid-19

Partidos elogiam evolução positiva da pandemia, mas criticam emergência até maio

Partidos elogiam evolução positiva da pandemia, mas criticam emergência até maio

Os partidos políticos pedem um desconfinamento seguro, assente na testagem massiva da população, para prevenir uma nova vaga da covid-19 no país, após a reunião com especialistas, esta terça-feira, no Infarmed. Para alguns, o anúncio de um possível estado de emergência até maio é "abusivo" e precipitado.

"Após mais esta reunião com peritos, foi possível perceber que Portugal está no bom caminho. Os dados epidemiológicos mostram que Portugal continua em contra ciclo em relação a outros países, com uma tendência de decréscimo, uma incidência estabilizada e um nível de transmissão que ainda se encontra abaixo de 1", referiu Maria Antónia Almeida Santos, deputada do PS.

A socialista apontou em seguida que Portugal já iniciou na semana passada o seu processo de desconfinamento, razão pela qual os dados que se registam "são animadores". "A taxa de positividade [nos testes] baixou bastante, o que nos deve animar, mas não fazer baixar a guarda", advertiu.

Num vídeo divulgado aos jornalistas no final de mais uma reunião no Infarmed, Cecília Anacoreta Correia, porta-voz do CDS-PP indicou que "foram apresentados dados muito importantes quanto à fiabilidade da vacinação, quanto à eficácia da vacinação".

A centrista lamentou que "o Governo tenha irresponsavelmente criado na última semana a perceção de insegurança das vacinas ao suspender levianamente a vacina da AstraZeneca" e apelou "a todos" que "aproveitem as oportunidades de vacinação".

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"Compreendo muito bem os avisos e a atenção do senhor Presidente da República, todos nós, todos os portugueses que passámos por este ano de pandemia têm uma preocupação: que não passemos por novas vagas, ainda mais difíceis", afirmou, defendendo que tal só é possível com "uma política firme, de contenção, uma política que não caia no desleixo ou na tentação de facilitismos", disse o dirigente e deputado social-democrata Maló de Abreu.

O vogal da Comissão Política Nacional do PSD quis deixar uma palavra do Governo, pedindo que seja "mais competente e menos incontinente". "Um Governo mais competente é um Governo que aposte em mais vacinas, em mais testes e aposte também em tomar mais cuidado nas fronteiras, porque há variantes que são mais perigosas e que podem causar problemas", defendeu.

"Aquilo que, neste momento, é de retirar como conclusão desta reunião do Infarmed -- a primeira depois do início do desconfinamento -- é de que é preciso mesmo apostar muito na testagem massiva em Portugal", vincou, nos Passos Perdidos do Parlamento, o deputado do Bloco de Esquerda (BE), Moisés Ferreira.

Para o parlamentar bloquista, "se não se apostar na testagem, é possível que se perca novamente o controlo da transmissibilidade do vírus", algo que não se pode "deixar que aconteça". "O BE está a preparar uma iniciativa legislativa, que apresentará ainda esta semana na Assembleia da República, exatamente com algumas medidas concretas", anunciou.

O Partido Comunista Português (PCP) vê "com preocupação que, apesar da consolidação da evolução positiva dos indicadores epidemiológicos, persistem opiniões no sentido de introduzir obstáculos e de dificultar o desconfinamento prejudiciais para o país e as populações".

Jorge Pires, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, reiterou que a "perceção da população em relação à epidemia, a degradação da saúde mental e o aumento do número daqueles que manifestam grande dificuldade em cumprir o 'ficar em casa' e em 'não visitar familiares/amigos'", revela a necessidade de "o país retomar as atividades económicas, culturais e desportivas, definindo com clareza as medidas de prevenção e proteção da saúde, e disponibilizando os apoios necessários à sua implementação".

"O Chega não apoiará este estado de emergência novamente, como não tem feito em relação aos últimos. Ouvi com estupefação o Presidente dizer que quer estado de emergência até maio. Eu não sei em que país vive e quer viver. Sei uma coisa, o país não vai continuar a aguentar isto", argumentou André Ventura.

O deputado único do partido da extrema-direita parlamentar exigiu esclarecimentos sobre as atividades económicas que poderão voltar a funcionar e qual o respetivo horizonte temporal.

A Iniciativa Liberal (IL) considerou que a possibilidade de prolongar o estado de emergência até maio é "excessiva" e sugeriu que o próximo decreto presidencial exclua os "poderes abusivos" conferidos ao Governo mas nunca utilizados.

"Dizer, com um mês de antecedência, que se vai precisar de fazer isso até meados de maio parece-nos excessivo e parece-nos um sinal dado que os sacrifícios e os esforços que as pessoas estão a fazer acabam por não ter um reflexo prático, porque as suas vidas continuam neste limbo que não é agradável para ninguém", declarou o deputado único da IL, João Cotrim de Figueiredo.

A deputada do PEV, Mariana Silva, lamentou o possível prolongamento do estado de emergência até maio, uma vez que não acredita "que seja com repressão e o constante visionamento daquilo que as pessoas andam a fazer nas suas vidas" que se faz com que as pessoas "tomem as medidas de segurança necessárias".

"O cansaço, a fadiga pandémica, também já está esclarecido pelos técnicos, faz com que as pessoas deixem de tomar algumas medidas de segurança e aquilo que deveríamos estar a fazer era reforçar a comunicação", adiantou.

"Há uma preocupação da parte do PAN relativamente ao plano de vacinação que está bastante atrasado: apenas um milhão de primeiras tomas, meio milhão de vacinas consumadas. No caso em concreto da faixa etária 40-60 anos, ela está bastante desprotegida e é importantíssima para a imunização de grupo", defendeu André Silva, porta-voz do PAN.

"Relativamente à renovação do estado de emergência, nós vamos acompanhar porque, pese embora estarmos num plano de desconfinamento, carece ainda de medidas legitimadas por cobertura legal e constitucional. É um procedimento que termos de manter. Esperemos que, daqui por 15 dias, as medidas que tenham de ser aplicadas já não necessitem dessa cobertura jurídica", disse.

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