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Partidos concordam que TAP está mal mas dividem-se quanto aos responsáveis

Partidos concordam que TAP está mal mas dividem-se quanto aos responsáveis

Os partidos políticos convergiram quanto ao diagnóstico de que a situação na TAP é preocupante, mas divergiram no apontar de responsabilidades e na escolha do caminho a seguir: BE e PCP defenderam no Parlamento o controlo público da empresa, PS e PSD trocaram acusações. CDS quer testar quem entra em Portugal.

O BE, que apresentou um projeto de lei pela nacionalização da TAP, entende que "se o Estado paga, tem de mandar". A deputada Isabel Pires lembrou que, ao mesmo tempo em que ocorrem "milhares de despedimentos" na transportadora e na Groundforce, "saem anúncios de trabalho temporário para os mesmos serviços".

A bloquista também criticou a "inércia do Governo" e considerou que "se o Estado não intervier agora, pode ser tarde demais". No entanto, acrescentou que o PSD "não pode passar pelos pingos da chuva", uma vez que foi o Governo de Passos Coelho que, em 2015, privatizou a companhia.

Bruno Dias, do PCP, defendeu um projeto de lei que visa o controlo público da TAP, sublinhando que esta deve ser "recapitalizada" e "colocada verdadeiramente ao serviço do país", com reversão de despedimentos.

Na opinião do deputado comunista, PSD e CDS permitiram que os portugueses fossem "roubados" em 2015, mas o PS já podia ter revertido a privatização e não o fez.

Bruno Dias assegurou que a Comissão Europeia está a condicionar a recuperação da empresa, dando como garantido que esta apenas será reestruturada se houver despedimentos.

PS e PSD em desacordo

Cristóvão Norte, do PSD, apontou baterias ao Governo. O deputado considerou que os portugueses foram "enganados" quando, em 2017, o Executivo "pagou para fazer de conta que mandava", ao mesmo tempo que aceitava que o Estado fosse obrigado a indemnizar os privados em caso de divergências.

Para o social-democrata, os atuais administradores ficaram "com o melhor de dois mundos" - arrecadam os lucros, mas as perdas recaem sobre os portugueses, disse -, situação que considerou ter ocorrido "pela mão do Governo".

Cristóvão Norte referiu ainda que foi o facto de o ministro Pedro Nuno Santos ter andado a "denegrir" a TAP que fez com que Bruxelas impusesse condições duras de recuperação à empresa.

Em resposta, Carlos Pereira, do PS, afirmou que a companhia aérea não pôde receber apoios no quadro dos auxílios temporários da UE por estar em "falência técnica" graças aos privados.

O deputado considerou os projetos de BE e PCP - bem como os do PEV e Iniciativa Liberal (IL), que também estiveram em discussão - como "redundantes e extemporâneos", uma vez que o Governo se encontra, desde há meses, a procurar uma solução para este dossier.

"Só estamos a fazer este debate porque o PS reverteu a privatização da TAP", vincou Carlos Pereira. O parlamentar admitiu que essa operação "custou algum dinheiro", mas apenas por ter ocorrido "em cima de uma má privatização feita por PSD e CDS". Hoje, mesmo à Direita, "é consensual" que a TAP "tem de ser pública", considerou.

CDS: testar para criar "confiança"

João Gonçalves Pereira, do CDS, instou o Governo a testar os cidadãos estrangeiros que entram no país, de modo a gerar "confiança" na economia e na TAP. O deputado recordou que Portugal está "na lista negra" de vários países em matéria de covid-19 e que países como a Áustria ou a Grécia, que têm tido registos melhores a nível de infetados, exigem a testagem de estrangeiros.

Para João Gonçalves Pereira, recusar a realização de testes à entrada fomenta o "medo" e, "com o medo, não teremos ninguém a vir a Portugal" e a usar a TAP.

Também o PEV e a IL apresentaram projetos de lei sobre a companhia aérea - os primeiros pedindo controlo público e os segundos a possibilidade de o Parlamento fiscalizar os dinheiros públicos colocados na transportadora. O PS disse que o diploma dos liberais seria uma interferência dos deputados no poder executivo.

O PAN revelou estar a favor das propostas e PEV e IL, o Chega acusou a Esquerda de "dar a mão" ao PS e Joacine Katar Moreira subscreveu os diplomas de BE, PCP e PEV.

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