Eleições

Partidos com soluções distintas para voto dos infetados

Partidos com soluções distintas para voto dos infetados

PCP quer votação presencial, mas PAN rejeita-a. BE sugere uma hora especial, CDS ataca demora do Governo e pede recolha porta a porta.

Sem consenso. A ministra da Administração Interna vai agendar uma reunião com todos os partidos com assento na Assembleia da República para organizar o processo eleitoral para isolados e infetados, mas o ponto de partida indica que há um longo caminho a percorrer. As posições dos partidos são distintas e, em alguns casos, opostas, mas há várias soluções.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, foi o primeiro a reagir ao anúncio de que o Governo ia reunir com os partidos. À margem de um encontro com o Conselho Nacional da Juventude, o líder comunista afirmou que é "fundamental" que o voto das pessoas em isolamento seja presencial. Ressalva, contudo, que essa prerrogativa deve ser conciliada "com a proteção sanitária das pessoas". Não diz como, mas admite que "ainda estamos a tempo".

A porta-voz do PAN tem uma opinião oposta e entende que os infetados não devem votar de forma presencial: "Nem oito, nem oitenta". À Lusa, Inês Sousa Real só admitiu a hipótese de voto presencial para isolados "com teste negativo".

A coordenadora do BE, Catarina Martins, sugere que haja "uma hora particular" para eleitores em isolamento poderem votar de forma presencial. À margem de um encontro com vigilantes, a líder do BE disse ainda que confia na decisão das autoridades de Saúde.

CDS quer dois dias

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Igualmente inovadora é a ideia de Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS-PP, que propõe dois dias de eleições: "Creio que seria de estudar a hipótese - e essa é a proposta que eu faço - para que o ato eleitoral pudesse ser desdobrado em dois dias, 29 e 30. O dia de reflexão não tem grande utilidade". O centrista defende ainda o voto descentralizado, porta a porta, em parceria com as Câmaras e forças de segurança, tal como sucedeu nas autárquicas: "Sei que há uma engenharia que pode ser adaptada pelo Governo, devidamente atempada e com todas as cautelas, e que ainda não foi".

Em pré-campanha, em Coimbra, André Ventura instou o Governo a ser "criativo e imaginativo" na solução, que passa pela via "administrativa" e não legislativa. Porém, o líder do Chega não concretizou qualquer proposta. Ainda à Direita, a Iniciativa Liberal avisa que é "urgente" definir as regras sem "afastar das mesas de voto os portugueses que querem exercer o seu direito fundamental".

Já a deputada Mariana Silva, do PEV, disse na Assembleia da República que a situação "não é nova" e, como tal, "basta adaptar e esperar por todas as soluções que serão apresentadas pelas diversas estruturas".

Esta quinta-feira à tarde, o Governo confirmou ao JN que a reunião ainda não tem data.

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