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Partilhados 88 jornais e revistas de forma ilegal todos os dias

Partilhados 88 jornais e revistas de forma ilegal todos os dias

A partilha ilegal de jornais e revistas (em formado pdf) nas redes sociais aumentou com a pandemia, estimando-se perdas mensais na ordem dos 3,5 milhões de euros para a imprensa nacional. Em média, por dia, são partilhadas 88 publicações. A análise foi feita pela Visapress e os resultados partilhados pelo seu diretor executivo, esta sexta-feira, durante a conferência "(I)literacia e Pirataria: a mesma luta", promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa.

Os cálculos da Visapress, entidade responsável pela gestão coletiva de direitos de autor, baseiam-se nos dados recolhidos junto dos principais grupos de Telegram que se dedicam à partilha de publicações.

"Já vinha a acontecer anteriormente, mas na pandemia notou-se uma grande disseminação de jornais e revistas na sua totalidade nas redes sociais. Não tanto no Facebook ou no Instagram, mas nas chamadas redes sociais de comunicação. Vimos surgir grupos de partilha de conteúdos dentro da rede Telegram, de uma forma exponencial. Durante a pandemia, houve um boom de partilha de jornais e revistas no Whatsapp", referiu Carlos Eugénio, diretor executivo da Visapress, um dos oradores da conferência.

O responsável garante que a Visapress tem vindo a pedir a remoção dos conteúdos em causa. Ainda assim, a pirataria "é um problema crescente" porque "não há ninguém que consiga controlar, de uma forma expedita, o que é o conteúdo partilhado de forma ilegal com uma capa de publicação periódica credível".

"A dificuldade da necessidade premente expedita que existe de remoção imediata é algo que é muito impactante a todos os níveis. Ao nível de perdas financeiras e ao nível de uma potencial partilha de conteúdos erráticos", lamentou.

Durante a conferência, a literacia para os média foi uma das armas apontadas contra a pirataria. Sérgio Gomes da Silva, coordenador da plataforma Leme, sublinhou que a "consciencialização é essencial" para ter um ecossistema mediático. O projeto Leme, implementado em setembro, tem como objetivo disponibilizar aos professores recursos que lhes permitam aumentar a literacia para os média junto dos alunos. Um dos temas prende-se com os direitos de autor.

"A literacia para os média compreende competências para uma utilização ética dos média. A pirataria é profundamente antiética. Estamos a falar de uma apropriação indevida de conteúdos de terceiros, não os remunerando devidamente. De facto, nos conhecimentos e competências que se procuram transmitir, está a sensibilização dos consumidores para a necessidade de respeitarem os direitos dos outros", destacou Sérgio Gomes da Silva, alertando ainda para a importância dos consumidores terem uma "noção básica da economia dos média".

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"É importante que os cidadãos tomem consciência que, para haver quem produza informação de qualidade, isso tem custos e tem de haver receitas que lhes permitam fazer face. É importante pagarem pela informação, assim como pagam para ter alimentos ou carros", sublinhou.

Amadeu Silva, da Academia Media Veritas, destaca a importância da literacia mediática nas comunidades seniores. Até porque, entre os mais velhos, há quem tenha "uma visão limitada do mundo da comunicação". Amadeu Silva acredita que "há pessoas [que ao partilhar o pdf de jornais e revista] não sabem que estão a cometer um crime".

Carlos Eugénio recusa essa ideia: "Sou um bocadinho mais terra-a-terra. É uma questão de querer ganhar dinheiro com o trabalho dos outros", disse o diretor-executivo da Visapress.

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