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Partos em casa ditam expulsão de parteira da Ordem dos Enfermeiros

Partos em casa ditam expulsão de parteira da Ordem dos Enfermeiros

A enfermeira Ana Ramos - que em 2012 esteve envolvida na morte de uma recém-nascida, após complicações num parto ao domicílio - foi expulsa da Ordem dos Enfermeiros, depois de ter visto indeferido o recurso que apresentou para contestar a condenação por homicídio por negligência.

A decisão da Ordem tem data de 14 de julho, mas veio agora a público na sequência da decisão de publicação da pena na Imprensa. A enfermeira foi condenada a 2 anos e 4 meses de prisão efetiva pelo Tribunal de Sintra.

Ana Ramos já tinha dado que falar quando a apresentadora de televisão Adelaide de Sousa partilhou os momentos complicados que viveu aquando do nascimento de Kyle, a 17 de agosto de 2009. Na altura, muitos apontaram o dedo à atriz por ter optado por se estrear na maternidade, aos 40 anos, em casa. O menino acabou por nascer no hospital, por cesariana, depois de mais de 30 horas de trabalho de parto.

"Felizmente, no meu caso, teve um final feliz, mas o da Alice, quase três anos depois, não. E é esse caso que nos está atravessado... Quem me dera a mim que, depois do meu caso, a Ana tivesse mudado as suas atitudes e as técnicas e talvez evitado a morte da Alice", disse, ontem, ao JN, Adelaide de Sousa, que vê a posição da Ordem dos Enfermeiros como tardia.

"Acho que agiram muito tarde. Esperaram muito tempo depois das primeiras queixas, dizendo que era preciso algo mais grave acontecer. Para mim, é difícil processar ter havido tantas reuniões - e há atas que registam isso -, que eu e a Sandra [Oliveira] nos sujeitássemos a juízos públicos para que nada mais acontecesse. Mas era notório que a Ana não estava interessada em mudar as suas competências e postura", diz.

Impedida de exercer lá fora

A morte de Alice, a 24 de fevereiro de 2012, foi o episódio que despoletou todo o processo, mas já tinha havido um outro caso de mortalidade de um bebé, ainda antes de Adelaide de Sousa passar pela experiência traumática. Sandra Oliveira é doula e autora do livro "Nascer saudável" e acompanhou a referida enfermeira uma vez, tendo sido testemunha no processo judicial.

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"Foram quatro casos, dois muito graves. Estive na primeira morte, da qual pouco ou nada se soube por vontade dos pais, ainda antes do que aconteceu à Adelaide. Sinto muita revolta, pois em 2014, depois das queixas e de factos expostos, a Ordem apenas se limitou a suspender a enfermeira por dois anos, omitindo a morte da Alice, quando o que deveria era ter atuado logo a partir da primeira queixa, estabelecendo um plano de acompanhamento para que a atitude negligente não se repetisse".

Ouvida pelo JN, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, reconheceu que "estes são processos longos" e explicou que "quando há processos judiciais, tem-se que se aguardar pelo desfecho". Além disso, lembra que o "Conselho Jurisdicional é independente e tem que ouvir pessoas que não são enfermeiras, não podendo obrigá-las como os tribunais fazem". Certo é que Ana Ramos "nunca mais poderá exercer enfermagem" em Portugal ou no estrangeiro visto que "a exclusão é partilhada na plataforma internacional".

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