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Páscoa à porta volta a provocar enchentes nos hipermercados

Páscoa à porta volta a provocar enchentes nos hipermercados

Clientes formaram filas enormes em superfícies comerciais do Grande Porto. Situação já não se verificava desde que foi declarado o estado de emergência.

As filas pareciam intermináveis. Com o carrinho de compras e a tentar respeitar o distanciamento social, muitas pessoas acumulavam-se, ontem, à porta de alguns super e hipermercados do Grande Porto. Era preciso esperar mais de meia hora para entrar.

O fenómeno, que já não se registava há mais de duas semanas, terá sido espoletado pela Páscoa que, mesmo sem as tradicionais procissões, missas e viagens à terra, é para ser celebrada.

Isabel Ferreira mora ao lado do Continente de Rio Tinto, em Gondomar, onde ontem, ao início da tarde, a fila dava a volta à praceta. Já não via este cenário desde que foi decretado o estado de emergência, há mais de duas semanas, e a população correu aos supermercados para abastecer despensas.

"Normalmente, venho fazer as compras durante a manhã", começou por explicar a moradora, que comprou produtos da parafarmácia do estabelecimento comercial. Cuida da mãe com 88 anos e do neto com 13 dias. É a única que pode vir à rua.

"Venho sempre pelas 8.30 da manhã e não costumo ter problemas. Agora, claro, receberam-se as reformas, há mais dinheiro e a Páscoa está a chegar, por isso as pessoas vêm abastecer-se", completou.

Mensagem de apelo

No Auchan do Parque Nascente, também em Rio Tinto, o cenário era idêntico. Com o ritmo marcado pelo segurança à porta do estabelecimento, interrompido apenas por profissionais de saúde, que têm prioridade, a fila avançava lentamente.

Nos altifalantes do centro comercial, em vez da habitual música ambiente, emitia-se uma mensagem de apelo. "Pede-se aos clientes que mantenham a distância de segurança". Apesar dos conselhos e avisos, um grupo de mulheres rodeada de crianças percorriam os corredores do shopping que, se não fosse o supermercado, estava sem vida.

Um funcionário do grupo de distribuição francês, que preferiu manter o anonimato, explicou ao JN que não tem sido sempre assim e que a correria aos bens essenciais tinha acalmado já há muito. Contudo, com o aproximar da Páscoa, muito mais pessoas acorreram aos supermercados.

DECISÃO

Governo permite mercados abertos e venda ambulante

O cenário de filas extensas verificou-se em vários concelhos.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, afirmou que os mercados podem manter-se abertos e as vendas ambulantes são permitidas, como medida para ajudar os pequenos produtores a escoarem os produtos regionais. "Fizemos tudo para poder continuar a assegurar a distribuição destes produtos que, mesmo em tempos de pandemia, necessitamos de consumir", referiu. A ministra defendeu ainda que é preciso manter estas cadeias de distribuição e desafiou os produtores a organizarem-se nas plataformas digitais.

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