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Festa do Pontal

Passos acusa Governo de aumentar pensões antes das eleições

Passos acusa Governo de aumentar pensões antes das eleições

No tradicional discurso da Festa do Pontal, o líder do PSD criticou o "passa culpas" no executivo de António Costa sobre a descoordenação no combate aos incêndios.

O líder do PSD acusou o Governo, este domingo à noite, de usar o aumento extraordinário nas pensões como arma de campanha eleitoral. No habitual discurso da Festa do Pontal, que marca a reentré política do partido, Pedro Passos Coelho criticou o "populismo, a demagogia e o disfarce" do executivo de António Costa.

"O ano começou em janeiro e o aumento [das pensões] só ocorreu em agosto, a um mês da campanha eleitoral para as autárquicas. Se fosse outro governo a ter esta audácia, o que se diria na comunicação social?", questionou. Passos Coelho acrescentou ainda que o aumento dado aos pensionistas é "retórica" porque a Caixa Geral de Depósitos aumentou o valor das suas comissões, ao mesmo tempo que se aumentaram os impostos diretos. "É uma maneira populista e demagógica de atuar quando se está à frente do Governo", criticou.

A abrir o discurso, Passos Coelho teceu críticas à atuação do Governo e da Proteção Civil no combate aos incêndios florestais deste verão. "Já se passou bastante tempo desde a tragédia horrível em Pedrógão, que foi quase no inicio da época dos incêndios. Chamámos a atenção para a necessidade de tirar ilações do que se passou, de se olhar para o resto do verão e ter uma resposta adequada e que tranquilizasse as pessoas. Mas o tempo passou e o que se tem visto é o contrário", apontou.

"É patente a descoordenação [no combate] e o que vemos na Proteção civil e, sobretudo no governo, é um exercício enorme de responsabilização, um passa-culpas", continuou o líder do PSD, sublinhando depois que foi o atual primeiro-ministro quem assinou o contrato do SIRESP - o sistema que garante as comunicações de emergência e que tem falhado nos incêndios, incluindo no de Pedrógão Grande. "Foi rigorosamente aprovado pelo dr. António Costa quando era ministro. Não vale a pena contar a historia da origem do universo", afirmou.

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Este fim de semana, António Costa avisou a PT, numa entrevista ao "Expresso", de que precisa de melhorar o serviço prestado ao SIRESP, culpando a empresa pelas falhas. "O primeiro-ministro é contra a PT ou contra a Altice, que interveio na PT sem ter ido fazer beija mão ao Governo?", acusou Passos.

"A época dos incêndios ainda vai a meio. Espero que o Governo aprenda com os erros e emende rapidamente a maneira de reagir e assaque responsabilidades, sem ser com os ministros e o primeiro-ministro a apontarem o dedo a outros, como se a responsabilidade não seja do próprio Governo e tenha de ser da Administração Pública ou de qualquer outra entidade", acrescentou.

A continuar a intervenção em Quarteira, no Algarve, Passos acusou ainda o Governo de não ter "independência, isenção e imparcialidade" e de não avançar com reformas na área do Estado, na Saúde, na Segurança Social e no emprego.

Sobre a melhoria nos indicadores da empregabilidade, o líder do PSD acusou António Costa de apostar num modelo de baixos salários. "O que os dados do INE mostram é que é cada vez maior a parcela dos que ganham o salário mínimo nacional", sublinhou.

"Cumprida metade da legislatura e passados dois Orçamentos do Estado, vemos que a vontade do Governo em mudar alguma coisa que não seja por razões demagógicas e a olhar para sondagens e as eleições, ou está na gaveta ou não está nas intenções", acrescentou Passos Coelho.

À chegada à Festa do Pontal, e questionado pelos jornalistas sobre se tenciona demitir-se caso o PSD obtenha resultados aquém do esperado nas autárquicas, Passos garantiu que ficará. "Eu não vou aqui introduzir nenhum elemento novo nessa matéria [de uma possível demissão]", respondeu, à chegada ao Calçadão de Quarteira, no concelho de Loulé, no Algarve.

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