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Passos acusa Governo PS de "desonestidade política" e "populismo"

Passos acusa Governo PS de "desonestidade política" e "populismo"

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou na sexta-feira à noite o executivo socialista de "desonestidade política" sobre a situação do país e apontou a polémica à volta dos "offshore" como exemplo maior de uma forma populista de fazer política.

Num jantar-convívio das Mulheres Social-Democratas, em Lisboa, que reuniu algumas centenas de apoiantes, Pedro Passos Coelho fez duros ataques ao Governo socialista liderado por António Costa, dizendo que se vive um tempo de "artificialismo na comunicação política".

Para Passos Coelho, a atual maioria quer "dar às pessoas a ilusão de que o que foi feito entre 2011 e 2015 correspondeu a um excesso de sacrifício que não teria sido necessário" e, por outro lado, que o país vive atualmente "uma situação sólida, de forte recuperação que só é possível porque o PSD não está no Governo".

"Trata-se em ambas as circunstâncias de uma mistificação e, muito frequentemente, de uma desonestidade política", acusou.

Pedro Passos Coelho apontou a recente polémica sobre as transferências para 'offshores' como a acusação "mais insidiosa" que foi feita ao executivo que liderou pelo atual Governo.

"A acusação insidiosa de que deixámos sair o dinheiro, de uma montanha de impostos que não foi cobrada, é uma acusação que além de desonesta revela uma maneira de fazer política que é rasteira e demagógica", criticou.

Para o líder do PSD, ficou demonstrado, nas audições parlamentares já realizadas, que as transferências não dependiam de autorização do Governo, que as estatísticas sobre as transferências para paraísos fiscais foram feitas -- apesar de não terem sido publicadas -- e que "a maior parte das comunicações feitas à Autoridade Tributária deviam ter sido tratadas já no tempo do atual Governo".

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"Depois espantam-se que nós reagimos mal. Não gostamos de ver quem está no Governo a comportar-se como um agente provocador", disse, considerando que é a esta forma de fazer política "que se chama populismo, que se chama demagogia, que se chama atirar areia para os olhos das pessoas".

Passos Coelho lamentou ainda as críticas que têm sido feitas pela atual maioria a entidades independentes, como o Conselho das Finanças Públicas, e considerou que o Governo "desperdiçou boas oportunidades" em 2016.

"2016 foi o ano em que o Banco Central Europeu interveio para tornar o preço do dinheiro mais barato", frisou, notando, contudo, que em Portugal foi mais caro ao Estado financiar-se do que no ano anterior.

Por outro lado, apontou, 2016 foi "um dos anos com o preço do petróleo mais barato", vantagem que considera ter sido desperdiçada pelo executivo com o aumento dos impostos sobre os produtos petrolíferos.

Perante algumas centenas de mulheres, Passos Coelho disse que estaria disponível para subscrever uma proposta de alteração estatutária que introduzisse um sistema de quotas - como o que vigora nas listas eleitorais - nos órgãos internos do PSD, frisando que dos seus seis vice-presidentes quatro já são mulheres.

Duas delas, Teresa Leal Coelho e Teresa Morais, estiveram na mesa de honra de Passos Coelho, ao lado de duas das três mulheres homenageadas neste jantar, as fundadoras do PSD Conceição Monteiro e Virgínia Estorninho.

A terceira homenageada, a título póstumo, foi a antiga deputada Odete Silva, falecida há um ano.

Muito aplaudida, Conceição Monteiro, militante número dois do PSD e que foi secretária do antigo líder Francisco Sá Carneiro, disse que o partido "foi como um filho" que não teve e lembrou que conheceu Passos Coelho "no tempo em que ele ainda fazia asneiras na JSD".

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