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Passos Coelho: "Não é fácil bater a geringonça, mas é preciso"

Passos Coelho: "Não é fácil bater a geringonça, mas é preciso"

Prometeu "apoio e discrição" a Rui Rio, garantiu a Santana Lopes que a sua derrota "não foi honrosa mas uma promessa", abdicou de fazer um balanço dos seus oito anos à frente do PSD e concentrou as baterias no ataque ao Governo socialista apoiado pelos partidos de Esquerda. "Não é fácil bater a geringonça mas é preciso bater a geringonça", alertou. O discurso de Pedro Passos Coelho, esta sexta-feira à noite, no arranque do 37º Congresso do PSD, citando Sá Carneiro e Mandela, foi de unidade e de futuro.

O social-democrata entrou no Centro de Congressos cinco minutos depois das 21 horas. A sala levantou-se e aplaudiu durante vários minutos. Percebia-se que a despedida "emocionada" do agora "soldado" Passos Coelho, além de inédita num congresso com o novo líder já eleito, seria histórica.

Passos não quis balanços. Sobre isso, deixará, prometeu, alguma coisa escrita, "para quem tiver curiosidade". Passos quis mesmo falar para Portugal e sobre o Governo. "No passado desta liderança fizemos o que era essencial e importante e nisso não falhámos ao país. Quando digo que não falhámos foi porque realmente tiramos o país da quase bancarrota em que os socialistas o deixarem, restaurámos a credibilidade externa, conseguimos recuperar o crescimento da economia e do emprego. E fizemo-lo numa altura particularmente exigente, sem agravar as desigualdades. Fizemos um caminho que nos permitiu, com o CDS, dar estabilidade e confiança ao país".

Para Passos Coelho, o Governo liderado por António Costa resume-se numa palavra: "propaganda". "É um governo que faz a espargata para agradar a todos e não tem problema nenhum com a propaganda. Uma propaganda, acentuou, que "não incomoda o BE nem o PCP nem os Verdes, nem o PS."

"Temos um Governo centrado no curto prazo, que faz a espargata para ver se consegue agradar a todos, não tem nenhum problema com a propaganda, todos os anos repete atualização extraordinárias das pensões em agosto como se o ano não tivesse outros meses. Porque é que há-de dar em agosto? Porque agosto foi o mês que antecedeu as autárquicas e agosto será o mês que antecederá as legislativas, é por isso que se dá em agosto".

A propaganda, insistiu, "a ambiguidade, a duplicidade das mensagens são, de um modo geral, a marca de água desta solução de Governo. Para sobreviver no médio prazo. Mesmo que essa solução subtraia futuro às pessoas e torne mais difícil ser mais justo - e mais justo em tempo útil."

E é o contrário da social-democracia. "Rejeitámos os totalitarismos, a estatização, a coletivização e combatemos esta ideia de propaganda em que cada cidadão é convidado a transformar-se num cliente das políticas públicas que o Governo no seu leilão eleitoral vai jogando a cada eleição. Nós não precisamos de agradar para fazer aquilo que achamos que é certo, respondemos sempre em consciência esperando que o resultado seja aquele que as pessoas aguardam como justo".

Passos criticou ainda a composição do Governo que diz revelar a "arrogância com que se exerce o poder". "Tem nas suas fileiras muitos dos que conduziram Portugal à bancarrota. Nunca houve um pedido de desculpa nem um arrependimento. O PS não teve sequer o decoro de encontrar outras caras. Como podemos saber que não vai voltar a repetir-se, se eles são os mesmos?", questionou.

Sobre o crescimento económico de 2,7%, que o atual Governo reclama como obra sua, Passos lembra a conjuntura e diz que há pelo menos 13 países da Zona Euro que cresceram bem mais do que Portugal, incluindo, com excepção da Grécia, os que foram intervencionados: Chipre 3,8%, Irlanda, 7,3% ou Espanha 3,1%.

"A propaganda encarrega-se de anular os efeitos positivos que vêm do passado, das reformas que foram feitas, até da conjuntura histórica que se vive. E anuncia-se um crescimento histórico, como se para isso bastasse ter o PS a governar", ironizou, para depois lamentar que o Governo esteja já "a perder o gás".

"O governo só está preocupado consigo próprio, não está preocupado com o país. Se estivesse, tinha a coragem e a humildade de admitir que a solução que trazia não funcionou. Não é fácil bater a geringonça mas é preciso bater a geringonça", avisou.