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Pedrógão Grande

Passos induzido em erro por provedor da Santa Casa, suicídios não se confirmam

Passos induzido em erro por provedor da Santa Casa, suicídios não se confirmam

Passos Coelho disse que houve "pessoas que puseram termo à vida por falta de apoio" na resposta ao incêndio de Pedrógão Grande. Mas foi induzido em erro pelo provedor da Santa Casa.

As declarações foram feitas aos jornalistas, esta segunda-feira de manhã, ao comentar a atuação do Estado na resposta ao incêndio em Pedrógão Grande.

"Não é necessária nenhuma auditoria para saber que o Estado falhou. O Estado falhou", afirmou. "Tenho conhecimento de que há vítimas indiretas, pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram, que não receberam apoio em tempo devido", declarou o líder do PSD, durante uma visita a Castanheira de Pera, sem especificar onde e em que momento essas pessoas terão morrido.

Logo após as declarações de Passos, Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande, garantia não ter conhecimento de qualquer caso de suicídio relacionado com o incêndio de Pedrógão Grande. "Há boatos, há muito boatos", a circular, reagiu, sublinhando não ter tido qualquer informação nesse sentido. "Peço às pessoas que não acreditem em boateiros", acrescentou.

António Costa também reagiu depois às afirmações de Pedro Passos Coelho, recomendando cautela. "Devemos ser todos muito prudentes nas afirmações que fazemos", aconselha o primeiro-ministro. "Não com base em rumores, notícias avulsas e no diz-que-disse", concluiu.

De facto, ao longo da tarde, nenhuma instituição - bombeiros, câmaras municipais da zona e entidades de apoio psicológico no terreno - confirmavam a revelação feita pelo ex-primeiro-ministro.

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Por uma razão: não era verdade. E a explicação para as palavras do líder do PSD chegou horas depois. Ao JN, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande confessou ter induzido Passos Coelho em erro. "Fui eu que dei ao dr. Passos Coelho uma informação errada em Vila Facaia e que, inadvertidamente, o induzi em erro". "A culpa foi minha", explicou João Marques, acrescentando que lamenta ter dado a informação incorreta.

O provedor diz, no entanto, que há muita gente a necessitar de apoio psicológico e indica que não há técnicos no terreno. "A Segurança Social e a ARS - Centro já estão informadas e estão a fazer todos os esforços para colocar profissionais ao serviço da população".

Candidato do PSD

João Marques é também candidato do PSD à C.M. de Pedrógão Grande nas eleições autárquicas de outubro. João Marques foi presidente até às eleições de 2013, ano em que saiu do cargo devido à lei de limitação de mandatos. Nessa altura, o PSD convidou Valdemar Alves, que manteve a câmara para o partido.

Este ano, as estruturas locais do PSD resolveram prescindir de uma candidatura do atual presidente, optando por candidatar João Marques, o que levou Valdemar Alves a apresentar a sua candidatura como independente, embora nas listas no PS.

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