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Passos e Sócrates: PS e PSD trocam armas de arremesso

Passos e Sócrates: PS e PSD trocam armas de arremesso

António Costa e Rui Rio tiveram um domingão de campanha à antiga, com arruadas de grande dimensão em que os governos do passado serviram de pretexto para mais um pingue-pongue de acusações. Costa colou Rio à política de "austeridade" de Passos Coelho e Rio respondeu com a "bancarrota" de José Sócrates.

A troca de argumentos já é diária e promete ficar mais quente à medida que o dia decisivo se aproxima. Este domingo, voltaram a disputar os mesmos territórios, em Guimarães e Viana do Castelo.

PSD, a defesa de Passos e o ataque a Costa

A caravana laranja juntou, de manhã, em Guimarães, o maior número de apoiantes da campanha social-democrata até ao momento. As concelhias do distrito de Braga mobilizaram milhares de pessoas que convergiram para um bastião socialista com 32 anos, onde Rui Rio falou em "sinais evidentes" de que o apoio está a crescer e acusou António Costa de "baixar os braços". O domingão laranja teve duas arruadas e uma conversa. Em todas elas, Rio apontou a Costa e ao PS.

Em Arcos de Valdevez, o líder do PSD saiu em defesa de Passos Coelho para responder a António Costa que, no sábado, colara o atual PSD à política de austeridade: "É preciso ter lata para estar a dizer uma coisa dessas quando ele sabe perfeitamente que aquele programa foi implementado por responsabilidade do PS e nós é que fomos tirar o país da bancarrota". Rio dramatizou. Disse que o PS "não teria feito outra coisa diferente" e criticou Costa por falar do passado em vez do futuro: "Não me vê a mim a estar permanentemente a criticar aquilo que o PS fez ou que o engenheiro José Sócrates fez, não tenho trazido isso para a liça porque isso é passado".

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Com um manancial de críticas bem presentes e disposto a dar fôlego à bipolarização que, segundo as sondagens, parece estar a ter resultados positivos, o social-democrata apelou ao voto "no único partido que neste momento está capaz de ganhar ao PS do doutor António Costa". Segundo Rio, o adversário "exagerou" ao pedir a maioria absoluta "depois da governação que teve". Em Viana do Castelo, as habituais "conversas centrais" de fim de dia contaram com Paulo Rangel que também vai estar no Porto, na próxima quinta-feira.

PS, as maroscas de Rio e o ataque ao BE

O domingo do PS não foi menos animado, sintoma de uma campanha em crescendo. Longe vão as ações de campanha mornas no Alentejo, a meio da semana passada. António Costa levou os dois maiores banhos de multidão desde que está na estrada - um nas Caxinas, Vila do Conde, e o outro em Guimarães. O dia foi intenso, mas o líder socialista respondeu à letra à sugestão de Rio de que a dinâmica do PS estaria a esmorecer: "Cansado, eu? Estou é cheio de energia!".

E essa energia era tal que levou Costa a enviar uma dura farpa à coordenadora do BE. Na véspera, em entrevista ao "Expresso", Catarina Martins tinha afirmado que o PS é "o único partido que não dá sinais" de querer construir pontes. O secretário-geral socialista lembrou que, em 2020, os bloquistas romperam "com o PS e com o PCP" e rematou: "Portanto, não aceito lições da Catarina Martins".

Mas minutos depois, já em Vizela - a terceira ação de rua do dia -, falou da reconciliação com o autarca local, um socialista que se tornou independente e que, recentemente, voltou a vencer a autarquia já reconciliado com o PS. Aí, Costa vincou a necessidade de se saber "dialogar, estender a mão e não agravar conflitos". Embora o assunto fosse autárquico, é difícil evitar leituras nacionais das palavras usadas.

Com quem parece não existir diálogo possível nos dias que correm é com Rui Rio. Costa está apostado em conotar o mais possível o líder laranja com a austeridade do Governo de Passos Coelho e até lembrou o célebre "diabo". "O dr. Rui Rio vai escondendo o seu programa", acusou. "Mas, sempre que fala, nós sabemos: não quer o aumento do salário mínimo, quanto mais dos outros; não quer o aumento das pensões". Em Viana do Castelo, completou: "Aquele programa está cheio de maroscas".

O ataque sem tréguas de Costa ao PSD parece ter substituído em definitivo o tema da maioria absoluta. "As eleições ganham-se com o voto posto na urna", avisou, no comício da tarde em Braga, instando os presentes a "a não deixar ninguém dormir" no dia 30.

Este domingo, em Viana, o presidente da distrital, Miguel Alves, empolgou a plateia com um discurso em que denunciou a "intolerância" de Rio enquanto autarca do Porto.

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