Nacional

Passos quer contar com conselho de senadores

Passos quer contar com conselho de senadores

Reunir à volta de uma mesa Marcelo Rebelo de Sousa, Pinto Balsemão, Mota Amaral e Barbosa de Melo, entre outros ilustres do PSD, poderá ser muito proveitoso para Passos Coelho.

O órgão consultivo - inédito em partidos portugueses - avança depois do congresso.

A promessa faz parte da moção "Portugal Primeiro" que o recém-eleito líder do PSD apresentou há semanas no Porto. Miguel Relvas, provável futuro secretário-geral do partido, garantiu ontem ao JN que a criação do órgão consultivo com notáveis de topo "é um dado adquirido". Mas "só depois do congresso" de 10 e 11 de Abril, em Carcavelos.

Neste "fórum de participação e reflexão interna" terão assento ex-líderes do partido, ex-chefes de Governo e ex-presidentesda Assembleia da República, como o fundador e professor catedrático Barbosa de Melo e Mota Amaral, deputado desde a Constituinte, que preside à Comissão Parlamentar de Inquérito do Negócio da TVI.

Trata-se, afinal, de juntar num mesmo espaço de reflexão os notáveis que queiram contribuir com as suas análises. Desta forma, o novo líder congrega opiniões bem díspares e compromete os seus conselheiros com uma lealdade institucional, para que não o critiquem noutros palcos, mais mediáticos e com maior risco de provocarem "danos colaterais".

"É uma medida inteligente porque Passos Coelho mostra que os quer unidos e terá muito a ganhar porque terão decerto bons conselhos para lhe dar", assinala Pedro Marques Lopes. "É preciso é que aceitem", conclui o jurista e comentador.

Durão Barroso e Cavaco Silva não incluirão este "Conselho de Ilustres" por causa dos cargos institucionais que ocupam. Fernando Nogueira, que abandonou a política em 1996, também não deverá aceitar. Mas Passos poderá contar com Rui Machete, Menéres Pimentel, Luís Filipe Menezes, Pinto Balsemão ou Santana Lopes.

Trata-se de "uma medida revolucionária, com todo o mérito", refere o comentador sobre a futura estrutura de consulta semelhante àquela que o chefe de Estado tem, mas com uma natureza exclusivamente partidária.

Programa remonta a 1992

É também uma medida inédita no sistema partidário português. O PS - cuja maioria dos ex-líderes estão ainda no activo: de Mário Soares, a Vítor Constâncio, até Jorge Sampaio, Ferro Rodrigues e António Guterres - nunca criou um ógão deste genéro.

À parte das razões elogiosas, há a necessidade de vincular os ex-líderes com o actual projecto e aproveitar "as experiências do passado, já que estes dirigentes foram líderes em circunstâncias políticas muito diferentes", sublinha.

Por exemplo, no processo de revisão constitucional, o novo líder pode beneficiar dos contributos já "sumarizados" por Marcelo e por Marques Mendes.

A nova direcção compromete-se também a realizar um congresso para actualizar o programa social-democrata. A última vez que o foi, em 1992, "o termo 'globalização' não tinha ainda entrado no léxico político" e "após a tentativa falhada de 2006, está na altura de empreender esta tarefa", diz a moção.

No mesmo conclave serão revistos os estatutos e expurgada a "lei da rolha" aprovada no pasado dia 14, em Mafra.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG