Iniciativa

Passos revisita passado para ajustar contas com Costa

Passos revisita passado para ajustar contas com Costa

Esta terça-feira, Passos Coelho "viajou" até 2014. Objetivo? Mostrar que, no passado, António Costa criticava Carlos Moedas e que, agora, até o recebe em São Bento. O antigo primeiro-ministro também revelou que Maria Luís Albuquerque esteve perto de ser comissária.

"É quase irresistível citar o atual primeiro-ministro", disse Passos Coelho - que fez, em Lisboa, a apresentação de "Vento Suão: Portugal e a Europa", o livro de Carlos Moedas, mas que quase não falou da obra. Perante uma sala cheia, consultou as notas e trouxe para a atualidade o António Costa de 2014: na altura, lembrou Passos, o então candidato a líder do PS considerou que Moedas era "o mais ortodoxo dos ortodoxos" e que, "se achavam que o ministro [Vítor] Gaspar era ortodoxo, esperem para ver o que é o comissário Carlos Moedas".

Revelando que esta reação sempre lhe pareceu "um bocadinho exagerada", Passos Coelho passou ao ataque, apontando incoerências no comportamento do atual primeiro-ministro. Lembrou que o Governo atual "faz uma avaliação muito positiva" do trabalho de Carlos Moedas e que, recentemente, António Costa até recebeu o ex-comissário em São Bento.

Em sentido contrário, Passos deixou um elogio ao PSD: "a reação do principal partido da oposição quando a atual comissária [a socialista Elisa Ferreira] foi escolhida revela um contraste completo" quando comparada com a atitude de Costa em 2014, uma vez que os sociais-democratas não pouparam nas "palavras de simpatia". Conclusão, segundo Passos: "quando se trata de fazer escolhas desta natureza, devemos pesar um bocadinho melhor aquilo que dizemos".

No entanto, o antigo primeiro-ministro 'laranja' não esteve com meias-palavras logo de seguida, quando criticou o facto de Portugal ter ficado com a pasta da Coesão e Reformas na Comissão Europeia: "Nunca a pedi, nunca a quis e não percebo porque é que o atual Governo a pretendeu", atirou, acrescentando que esse pelouro "não serve para mais nada" a não ser "para fazer propaganda pelo país".

Juncker: "Então, tem de ser a Maria Luís"

Mas nem só de ajustes de contas se fizeram estes mais de 40 minutos de discurso de Passos Coelho. Também houve lugar a revelações, nomeadamente uma a envolver a antiga ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. "É verdade que aceitei equacioná-la [para Comissária Europeia] e chegou a haver algumas conversas com o presidente da comissão [Jean-Claude Juncker, recentemente substituído] para avaliar como é que aquilo podia andar para a frente".

Passos informou a plateia: "O presidente Juncker ligou-me e, logo a matar, não me perguntou a opinião". Falou ao então primeiro-ministro de um primeiro nome para Comissário, uma escolha que Passos Coelho respondeu que não teria "pés para andar". Depois, Juncker disse: "Então, tem de ser a Maria Luís Albuquerque".

A ideia não se materializou, continuou o antigo chefe do Governo, "pela simples razão de que [Maria Luís] era ministra das Finanças e a situação que se estava a desenhar no BES já me inspirava a maior das preocupações". No entanto, em nova viagem momentânea a 2014, Passos recordou, em discurso direto, a forma como tranquilizou o antigo presidente da Comissão Europeia: "Jean-Claude, não ficas pior, Garanto-te que levas alguém de categoria e que poderá ser um grande Comissário".

Moedas e a "identidade europeia"

Sobre o livro "Vento Suão: Portugal e a Europa" - que reúne 75 crónicas escritas por Carlos Moedas acerca da Europa -, não houve muitas palavras. Passos considerou-o "atrativo" porque, embora não tendo "a ambição de discutir a filosoficamente e intelectualmente a Europa", revela alguém que "sabe o que quer e o caminho que quer trilhar".

Já o agora ex-comissário, que entre 2011 e 2014 foi secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, agradeceu a Passos "por ter acreditado em mim antes dos outros". Considerando que a raiz dos populismos está na dificuldade de a União Europeia (UE) "contar a História", sublinhou a necessidade de se reforçar a "identidade europeia". Recorrendo ao "Hino da Alegria" - "a melhor maneira de descrever a História da Europa" - rematou: "temos [UE] os melhores cientistas, as melhores ideias, a Arte e a Ciência; só nos falta acertar no tom".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG