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Patas dos cães devem ser lavadas quando animal regressa a casa

Patas dos cães devem ser lavadas quando animal regressa a casa

Nunca antes os cães passearam tanto como hoje e os donos, saturados de estar em casa em prevenção ou de quarentena devido ao Covid-19, nunca tiveram tanto prazer em sair de casa com o seu animal de estimação.

Mas são necessários cuidados. Nada de socialização na rua. Tanto entre humanos, como entre humanos e animais. Os cães não transmitem o coronavírus mas podem transportá-lo, daí ser necessário lavar as patas do seu fiel amigo assim que chegar a casa.

Com os donos confinados, muitos deles em teletrabalho ou teleaula, aumentaram em número e em tempo os passeios à rua. Os jardins e os parques enchem-se de gente, a qualquer hora do dia. "Venho mais vezes. Antes, durante o dia, o Gaspar e a Goa vinham com a minha mãe mas agora quero que ela saia de casa menos vezes. Como está bom tempo venho com eles, de manhã e depois durante o dia, menos quando tenho teleaula", diz Sofia Machado, de 17 anos e estudante de Biologia, uma das muitas utilizadoras do Jardim Paulo Vallada, o primeiro parque canino do Porto.

Paula Correia, por seu turno, reconhece que está a ficar "impaciente" com as longas horas que passa em casa. Tem um negócio de venda de vestuário que gere a partir do computador. O Dom, um ágil Labrador, é o escape por estes dias. "Venho muito mais vezes ao exterior. Só tenho medo é que depois, quando esta pandemia terminar, ele fique habituado", afirma enquanto circula com o seu amigo pelo Jardim do Largo da Rainha Dona Amélia.

Evitar interação

Pedro Sena com o seu labrador cor de chocolate Benny faz o mesmo. "Ele gosta de vir aqui e de socializar com os outros cães", explica. Os donos falam uns com os outros, mantendo a distância de dois metros. Já os animais saltam e correm, alguns sem trela. "Esta é uma altura em que somos privilegiados por ter um animal. Contudo, o animal não deve ser pretexto para contactos quando nos recomendam isolamento social. "O cão pode ser um motivo para sair de casa mas tem de ser à trela, em passeios curtos e sem interação social", afirma Luís Montenegro, diretor clínico do Hospital Veterinário Montenegro, cuja equipa presta apoio domiciliário, tratando dos animais sem necessidade de contacto com com os donos.

"O animal não pode contrair a doença nem propaga-la mas pode transporta-la nas patinhas e nas coleiras. Por isso é importante que, antes de entrar em casa, com uma solução saponificada se deva lavar as patas, tal como nós que devemos lavar as mãos. Mas atenção sem usar álcool que é muito irritativo e irá provocar lesões", acrescenta o médico veterinário.

Há risco de levar o cão à rua ou esse hábito deve ser mantido?
Jorge Cid, bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, explica que tal como acontecia antes é bom passear os animais mas "estes passeios devem ser curtos e isolados". Ou seja, nem o dono nem o cão devem ter qualquer contacto com outros humanos e animais.

O cão ou outro animal doméstico pode infetar os donos?
Não. Jorge Cid explica que os animais podem transportar o vírus, nas patas ou no pelo. Evitar que o animal receba festas na rua é fundamental assim como a higienização das patas ao chegar casa com água e sabão, numa solução feita e colocada num borrifador.

Hospitais veterinários e clínicas continuam a funcionar?
Continuam, embora seja dada prioridade às situações de urgência e cirurgias programadas. As consultas de rotinas estão, na maior parte dos estabelecimentos, adiadas. Algumas clínicas e hospitais têm apoio domiciliário. Jorge Cid recorda que "nada justifica o abandono do animal que é crime".

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