Regionais

Paulo Cafôfo pode vir a ser o Costa da Madeira

Paulo Cafôfo pode vir a ser o Costa da Madeira

Miguel Albuquerque está em risco de perder maioria absoluta. BE já fala em "geringonça". PSD pode vir a ser obrigado a coligar-se com o CDS-PP.

No último dia de campanha, está tudo em aberto nas eleições regionais da Madeira. A confirmarem-se as mais recentes sondagens, Miguel Albuquerque tem vitória garantida no domingo. Mas corre o risco de enfrentar o mesmo que Passos Coelho, há quatro anos nas legislativas. À Esquerda já se fala em "geringonça" uma vez que, juntos, PS, CDU, BE e PAN podem conseguir a maioria dos eleitos. Nesse cenário, a esperança do PSD em manter-se no poder poderá recair sobre o CDS-PP.

Com a hegemonia social-democrata em risco, Miguel Albuquerque que, há quatro anos, conseguiu 44,35% dos votos, o que lhe garantiu 24 dos 47 lugares do Parlamento regional, ainda nem ousou pedir a renovação da maioria absoluta. O presidente do Governo Regional tem-se ficado pelo apelo a uma vitória "muito expressiva" ou a uma "maioria significativa" para prosseguir o "contínuo desenvolvimento" da região.

Miguel Albuquerque coloca a fasquia num resultado eleitoral que lhe garanta a vitória e deixa a porta aberta a um possível acordo pós-eleitoral com o CDS-PP, partido que lhe poderá garantir a maioria dos eleitos, caso se confirmem os resultados das sondagens.

Maiorias em cima da mesa

Consciente disso, o cabeça de lista do CDS-PP, Rui Barreto, tem insistido na tese de que o arquipélago está a viver um "momento único". Pede o fim das maiorias absolutas e apela ao voto no CDS-PP, precisamente para se "evitarem "geringonças"", tal como nas legislativas de há quatro anos.

Do outro lado, é precisamente por uma "geringonça" que lutam BE e CDU (pode ter dois eleitos). Edgar Silva apela ao "voto útil", alegando que só, assim, será possível acabar com a maioria absoluta do PSD. Já os bloquistas (podem ter três eleitos), encabeçados por Egídio Fernandes, admitem abertamente uma "geringonça".

Nesse cenário, o PS, que há quatro anos concorreu coligado e ficou em terceiro lugar (11,43%), pode cantar vitória, apesar de ser derrotado nas urnas. Paulo Cafôfo poderá colocar o PS como segunda força política (com 18 eleitos) e chegar a um acordo pós-eleitoral, que lhe permita governar, como fez António Costa.

Idade: 48 anos
Cargo: Professor e ex-autarca do Funchal

Foi só em 2013 que Paulo Cafôfo entrou para a política. Até então, tinha sido professor de História, passando pelo sindicalismo. Chegou a secretário nacional da Fenprof , pelo meio, pertenceu aos órgãos sociais da Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira e coordenou a área de Política do Laboratório de Ideias da Madeira. Há seis anos, concorreu, como independente, à Câmara do Funchal, numa coligação abrangente, liderada pelo PS. Em maio, renunciou ao cargo para ser candidato independente pelo PS à liderança do Governo Regional.

Idade: 58 anos
Cargo: Advogado e ex-autarca do Funchal

Entrou para a história da vida política da Madeira quando ousou questionar a liderança de Alberto João Jardim, acabando por lhe suceder no cargo. O advogado, especialista em Direito Criminal e da Família, não esconde a paixão pela música, em particular o jazz, e por rosas, estando ligado a um roseiral em Santana, com mais de 17 mil roseiras. Na política, geriu a Câmara do Funchal durante 20 anos e só saiu, em 2013, devido à lei da limitação de mandatos. Presidiu à Associação dos Municípios da Madeira e é presidente do Governo Regional desde 2015.