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Rangel quer um PSD que vá do "centro-esquerda" à "direita moderada"

Rangel quer um PSD que vá do "centro-esquerda" à "direita moderada"

O eurodeputado Paulo Rangel, que se candidata a líder do PSD, afirmou que o seu primeiro objetivo caso vença as eleições internas é "unir" as "várias correntes" do partido. Considerou "muito pouco provável" que venha a existir uma crise política e admitiu futuras coligações com o CDS e a Iniciativa Liberal, mas não com o Chega.

Rangel defendeu ser "especulação" que o país possa estar em vias de ir para eleições legislativas. No entanto, se o cenário da crise política vier mesmo a ocorrer, afirmou que "não compete" ao PSD ajudar a aprovar um Orçamento do Estado "mau" e que "se esgota" na utilização da 'bazuca' europeia.

Na eventualidade de existirem eleições antecipadas, o eurodeputado defendeu que o seu partido deve apresentar-se a votos "legitimado e reforçado". Uma alusão ao facto de o líder social-democrata, Rui Rio, ter pretendido adiar as eleições internas, embora sem sucesso: estas irão realizar-se a 4 de dezembro, como preferia Rangel.

"Um líder, a partir do momento em que ganha o partido, tem de unir", afirmou o candidato, esta segunda-feira, em entrevista à TVI. Reivindicou uma oposição "mais firme" e "assertiva" ao Governo, criticando Rio por ter aceite pôr fim aos debates quinzenais com o primeiro-ministro no Parlamento.

Rangel argumentou que o atual PSD se limita a ficar "à espera que o Governo caia", em vez de combater e denunciar aquilo a que chamou "instintos controleiros" do Executivo de António Costa.

Ainda assim, o eurodeputado garantiu ter "um enorme respeito pessoal e político" pelo atual presidente laranja, que conhece há 20 anos e que, em 2019, o escolheu como cabeça de lista para as eleições europeias.

Rangel sublinhou que terá "o maior gosto" em disputar as diretas com Rio, assegurando que respeitará "com enorme recato" a decisão do líder caso este decida não se recandidatar. O atual líder irá revelar em breve se avança ou não.

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Piscar o olho ao centro e afastar radicais

Sobre a sua estratégia para chegar ao poder caso vença as eleições internas, Paulo Rangel adiantou que quer um PSD a falar para um espectro amplo de portugueses. "Nunca se ganharam eleições sem se irem buscar votos ao centro", justificou.

Desse modo, propôs um partido que responda às necessidades dos eleitores que se posicionam "do centro-esquerda até à direita moderada". Admitiu que, "neste momento", a direita não tem condições de chegar ao poder, mas defendeu que, num futuro próximo, essa meta "não é nenhuma impossibilidade".

Rangel disse acreditar que o PSD terá mesmo "todas as condições" para alcançar a maioria absoluta, embora considere que existirão condições de governação mesmo em minoria. Para tal, admitiu vir a promover coligações, "seja com o CDS seja, eventualmente, com a Iniciativa Liberal". O Chega ficará de fora.

"O Governo do PSD nunca será feito com um partido radical, seja de direita ou de esquerda. Isto é evidente", afirmou Rangel. Sábado, no Twitter, o líder do Chega, André Ventura, insultou o eurodeputado, descrevendo-o como "frouxo em todos os sentidos".

Questionado sobre se, na prática, esta sua posição não significaria entregar o poder ao PS, Rangel disse que esse não seria "necessariamente" o desfecho. "O primeiro Governo de Cavaco Silva, que teve muito sucesso, alcançou 29%" dos votos, recordou.

Apoio de Passos?

Sobre a antecâmara das diretas do PSD, Paulo Rangel disse não saber se tem o apoio de Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro. No entanto, revelou que ambos têm "uma relação de grande à-vontade" e que falam "frequentemente".

Ainda assim, o eurodeputado disse que a aprovação de Passos não é fundamental para a sua candidatura: "Julgo que tenho todas as condições para agregar [o PSD] e, se me permite, não preciso da tutela de ninguém", referiu.

Sobre os eventuais constrangimentos de poder vir a liderar o partido sem ter o palco de deputado, Rangel recordou que Passos Coelho também não o tinha quando, em 2010, venceu as eleições internas (precisamente contra o eurodeputado). "Até é um bom augúrio", gracejou.

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