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Paulo Rangel: "PSD não está em estado de emergência"

Paulo Rangel: "PSD não está em estado de emergência"

Paulo Rangel diz que não há motivo para adiar as eleições no PSD uma vez que o partido "não está em estado de emergência". Se for eleito presidente dos sociais-democratas, garante que nunca fará um governo de "bloco central" com o PS.

"O PSD tem de ter um líder para ir às eleições legitimado" e o "tempo é compatível" com a realização de eleições internas, defendeu Paulo Rangel em entrevista à RTP. As eleições em dezembro e congresso que se seguirá trarão "uma liderança legitimada, forte e com um projeto mobilizador" para se apresentar as eleições legislativas.

Sobre a polémica reunião com o Presidente da República que surpreendeu Rui Rio, Paulo Rangel explicou que tinha pedido uma "audiência de cortesia" logo após ter anunciado a sua candidatura a PSD. "O timing não foi escolhido por mim, foi pelo Presidente da República", revelou, assegurando que "o assunto não tem importância" dado que apenas foi a Belém revelar a as razões porque se candidatava. "Tudo o mais é especulação ou aproveitamento por alguns", atirou.

Questionado sobre uma eventual data para as eleições legislativas, Paulo Rangel disse que não se iria substituir ao Presidente da República e criticou a pressão - "pouco comum" - que alguns líderes partidários estão a fazer sobre Marcelo Rebelo de Sousa para que este marque eleições.

"Voto em António Costa e no PS é um voto inútil"

Antecipando os cenários no pós-eleições, Paulo Rangel explicou que um voto em António Costa será inútil pois o PS "não poderá governar à esquerda porque não se vai entender com o BE e o PCP. Foi um divórcio litigioso, deixou marcas e vai demorar muito tempo até se costurarem as feridas".

Pela sua parte, deixou uma promessa: "Se eu for líder não haverá um bloco central". Paulo Rangel acredita que, "com um projeto de governabilidade intergeracional e interclassista, será possível cativar o voto dos portugueses para uma solução estável em que o PSD seja o partido liderante, isso depende de um líder que seja capaz de galvanizar e não esteja exausto".

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Sobre a estratégia para as eleições, disse que o PSD "deve ir sozinho", mas que tanto o CDS como a Iniciativa Liberal poderão vir a ser parceiros do partido e terá disponibilidade construtiva para encontrar soluções comuns. "Vamos pedir uma maioria estável; se absoluta, melhor."

Paulo Rangel acrescentou ainda que, na sua opinião, o Governo faz bem em não pedir demissão após o chumbo do orçamento pois "é melhor ter um governo em funções até às eleições" do que um governo demissionário.

Críticas a Rui Rio

O eurodeputado criticou Rui Rio por ter acabado com os debates quinzenais, pois com aqueles debates "os governos funcionam melhor", têm "mais pressão". E frisou que "a valorização do Parlamento e o escrutínio do governo é um património democrático não é de um partido".

Sobre as críticas feitas por Rio de que não tem experiência governativa, em contraponto com a sua, que foi presidente da Câmara do Porto, Rangel desvalorizou e apontou que António Costa foi presidente da Câmara de Lisboa e isso não o fez um bom primeiro-ministro. Rangel diz que está preparado para ser um líder aglutinador e executivo e que tem uma rede de contactos "que se bate e se mede com António Costa".

Confrontado com a prestação do PSD nas Autárquicas, Rangel frisou que Rui Rio "reivindicou um bom resultado para si, mas não foi candidato", nem sequer à Assembleia Municipal do Porto. E ainda recordou que antes das eleições europeias de 2019, nas quais foi cabeça de lista, Rio decidiu fazer uma coligação positiva com o PCP e BE na crise dos professores que prejudicou muito a sua campanha. "Não me importo de assumir responsabilidades, mas sejamos fiéis à história", afirmou.

Casamento homossexual

Paulo Rangel, que recentemente assumiu ser homossexual, explicou o seu voto contra o casamento do mesmo sexo em 2008. "A minha convicção à época era que devia haver um instituto análogo ao casamento mas com um nome diferente" para haver uma "transição". Hoje reconhece que talvez não fosse preciso e entretanto mudou de posição. "Sou a favor", afirmou.

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