Zona Euro

PCP diz que único objectivo europeu é "salvar a banca e os seus desmandos"

PCP diz que único objectivo europeu é "salvar a banca e os seus desmandos"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que as conclusões da cimeira da zona euro que terminou de madrugada em Bruxelas "confirmam" que o único objectivo das políticas europeias é "salvar a banca e os seus desmandos".

"É a confirmação daquilo que tínhamos vindo a dizer. Todas as preocupações, esforços e medidas [da zona euro] apontam para continuar a injectar o capital financeiro. Dinheiro dos povos, dos trabalhadores, dos contribuintes para continuar a salvar a banca dos seus desmandos. Esta é a linha central que está ali colocada", disse Jerónimo de Sousa, na sede do PCP em Lisboa, no final de uma reunião com a direcção da CGTP.

Os líderes europeus e da zona euro chegaram esta madrugada, ao fim de uma maratona negocial de quase dez horas, a um novo plano para reduzir a dívida grega e atribuir a Atenas um novo plano de resgate, prevendo que a banca aceite perdas de 50 por cento nos investimentos na dívida soberana da Grécia.

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A cimeira da zona euro decidiu ainda ampliar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) até um bilião de euros e a recapitalização da banca.

Para Jerónimo de Sousa, nenhuma destas medidas "são para ajudar o povo grego, são para evitar uma bancarrota do capital, mas não para evitar a bancarrota do povo grego, que está a viver uma situação dramática".

"Obviamente que o capital financeiro olha para a Grécia como uma espécie de vaca leiteira e não poderiam matá-la, porque perderiam todo o leite. Assim, mantendo a vaca viva mantém pelo menos metade da produção. É apenas uma imagem que reflecte que estas medidas não são para ajudar o povo grego", afirmou o secretário-geral do Partido Comunista Português.

Em relação a Portugal, Jerónimo de Sousa diz que sai da cimeira a "persistência na aplicação do pacto de agressão" aos portugueses, "mas com um anúncio: possivelmente vão tentar aplicar mais medidas graves sobre os trabalhadores e o povo português".

"Naquela cimeira, nem uma medida nem um anúncio daquilo que precisamos como pão para a boca, que é o apoio ao nosso crescimento económico, ao nosso aparelho produtivo, à nossa produção nacional, à possibilidade de potenciar o emprego. Zero. Apenas estas preocupações de concretização do pacto de agressão e de recapitalização da banca", acrescentou.

Jerónimo de Sousa considerou ainda "um golpe inaceitável na soberania nacional" o compromisso assumido pelos países da moeda única europeia de adoptarem a "regra de ouro" do equilíbrio orçamental, preferencialmente a nível da Constituição ou equivalente, para o final de 2012.

A declaração final da cimeira elogiou também o esforço de Portugal e da Irlanda no cumprimento dos programas de ajustamento ao abrigo da ajuda externa, e "convida os dois países a manter os seus esforços, a manterem-se comprometidos com as metas acordadas e estarem dispostos a tomar quaisquer medidas adicionais necessárias para atingir essas metas".

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