Esclarecimento

PCP quer ouvir ARS-N sobre demissões na Urgência de Psiquiatria do Porto

PCP quer ouvir ARS-N sobre demissões na Urgência de Psiquiatria do Porto

O grupo parlamentar do PCP vai propor a audição da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) e dos responsáveis pela Urgência Metropolitana de Psiquiatria do Porto (UMPP), na sequência do pedido de demissão dos médicos.

Em comunicado, o grupo parlamentar comunista dá conta que os deputados enviaram esta quinta-feira um pedido de explicações ao Governo sobre estas demissões e revela que vai solicitar, em paralelo, a audição da ARS-N e dos responsáveis pelo serviço de UMPP no parlamento.

Na terça-feira, os oito médicos responsáveis pela UMPP, concentrada desde abril de 2006 no Hospital de São João, apresentaram a sua demissão, alegando "limitações e problemas vários desde a sua génese", para os quais não obtiveram respostas.

Na pergunta que dirigiram esta quinta-feira à ministra da Saúde, Marta Temido, os comunistas confrontam a tutela com as afirmações dos responsáveis pela UMPP.

Salientando que o partido não tem sido favorável às opções de concentração de respostas do âmbito da saúde, por entender que se traduzem em menos condições, questionam qual o conhecimento que o Governo tem desta situação, nomeadamente sobre os problemas identificados pelos médicos responsáveis pela UMPP, que conduziram ao seu pedido de demissão.

Instam ainda a tutela a clarificar a sua posição e a esclarecer que medidas vai tomar para resolver os problemas identificados, e garantir a resposta necessária aos utentes de psiquiatria e às suas famílias, nomeadamente do distrito do Porto.

Numa carta dirigida ao presidente do Conselho Diretivo da ARS-N, ao coordenador regional da Saúde Mental da ARS-N e aos diretores dos Serviços de Psiquiatria, datada de terça-feira e a que a Lusa teve acesso, os médicos salientam que um dos problemas "basilares" daquela urgência é a "ausência de definição dos critérios de referenciação".

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Estes profissionais, assinala o PCP no documento, referem ainda que "no início de 2020, em reunião com a ARS-N, foi comunicada a implementação dos critérios de referenciação, mas tal nunca chegou a suceder, contribuindo para o recurso à UMPP de uma enorme quantidade de casos sem indicação para observação em contexto de urgência e, assim, para um afluxo excessivo e inapropriado de utentes".

Os médicos indicam ainda que o funcionamento desta urgência metropolitana se deteriorou desde o início da pandemia de covid-19, sem que tenham obtido respostas.

Na quarta-feira, em comunicado, a ARS-N indicou estar agendada para a próxima semana uma reunião entre a coordenação regional para a Saúde Mental e a coordenação da UMPP, para "procurar solução para alguns constrangimentos identificados".

Aquela entidade afirma ser seu objetivo, assim como dos hospitais envolvidos, "melhorar e qualificar" este serviço, "adequando, na medida do possível, os recursos às necessidades".

Desde 1 de abril de 2006 que a UMPP funciona nas instalações do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ).

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