Fibrose Quística

Pedido de autorização de medicamento para Constança segue dentro de dias

Pedido de autorização de medicamento para Constança segue dentro de dias

O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte informou, na tarde desta segunda-feira, que vai enviar, nos próximos dias, ao Infarmed cinco pedidos de Autorizações de Utilização Excecional (AUE) de um tratamento inovador para doentes com fibrose quística, entre os quais se conta o de Constança Braddell, a jovem de 24 anos que, na última semana, publicou um apelo desesperado nas redes sociais, para que o seu caso fosse atendido.

Em conferência de imprensa, Luís Pinheiro, diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHLN), explicou que o processo de pedido de autorização para o tratamento com Kaftrio/Trikafta de Constança e mais quatro doentes está ainda "numa fase precoce", mas deverá concretizar-se dentro de alguns dias, de forma a que o tratamento se inicie o mais rápido possível.

O clínico explicou que estão a ser elaborados os processos com todos os detalhes clínicos dos doentes em questão, para que possa haver uma tomada de decisão da entidade reguladora, no caso, o Infarmed. "Havendo autorização será desencadeado o processo", referiu.

O responsável do CHLN sublinhou porém que este tipo de medicamentos "não são de decisão de um dia para o outro" mas que, no caso do Kaftrio, este não é utilizado como "terapia urgente". Explicou que permitem uma melhoria considerável na vida dos doentes, mas não têm uma ação imediata sobre um caso agudo.

Luís Pinheiro fez ainda questão de frisar que o impacto do caso de Constança Braddell na opinião pública não teve qualquer influência na decisão de a incluir no Programa de Acesso Precoce. "Os médicos tomam decisões com base nas situações clínicas dos doentes e não no mediatismo", observou.

Já relativamente à campanha solidária lançada pela família que permitiu angariar, nos últimos dias, uma considerável quantia para ajuda na compra do medicamento, o diretor clínico do CHLN disse desconhecer o que será feito. "Em Portugal temos um Serviço Nacional de Saúde que suporta aquilo que são os custos dos doentes e não há co-pagamentos", destacou

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Uma doente com fibrose quística (FQ) fez um apelo dramático nas redes sociais, para que seja libertado o acesso generalizado a um tratamento inovador para aquela doença genética, hereditária e rara. Constança Bradell, de 24 anos, escreve na sua conta de Instagram: "Não quero morrer, quero viver". E descreve a sua tentativa, alegadamente frustrada, de sensibilizar o Infarmed para a situação que vive por causa da doença.

Após a pressão mediática dos últimos dias, a jovem acabou por ser internada na quinta-feira, no Hospital Pulido Valente (Centro Hospitalar Lisboa Norte). "O meu estado de saúde agravou-se. Estou a ser bombardeada com muita coisa e tenho de me manter calma, mas estou super ansiosa. Estou muito feliz com todo o apoio, mas muito, muito ansiosa", disse, ao JN. "Não consigo falar muito. Estou com aparelho. Não sei nada do que está a acontecer. A minha família é que está a tratar de tudo".

Uma campanha de angariação de fundos, lançada por familiares e amigos para comprar o Kaftrio para Constança - uma vez que a sua entrada no mercado ainda não foi autorizada pelo Infarmed -, atingiu em dois dias mais de 200 mil euros. A Associação Portuguesa de Fibrose Quística admite que a iniciativa pode ajudar a desbloquear o processo, mas alerta para o facto de o medicamento ser de dispensa hospitalar. Nos EUA, revela, o preço do tratamento ronda "os 21 mil euros para um doente durante um mês (252 mil euros/ano), sendo este "negociado por cada país".

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