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Pedidos de bolsa no Ensino Superior disparam este ano

Pedidos de bolsa no Ensino Superior disparam este ano

Depois dos recordes registados no número de candidatos e de matriculados no Ensino Superior, este ano regista-se, também, o maior número de pedidos de bolsas.

De acordo com o site da Direção Geral do Ensino Superior (DGES), até dia 22 de setembro tinham sido entregues 75 994 requerimentos - o maior número desde 2018, quando tinham sido pedidos até ao mesmo dia, 69 386. Comparativamente com o ano passado, são mais 10 650 candidaturas a bolsa.

Este ano, há mais estudantes inscritos e o limiar de elegibilidade foi alargado pelo Governo, mas as federações académicas do Porto e de Lisboa admitem, também, que a crise inflacionária já se pode estar a fazer sentir nesta subida de pedidos. Os estudantes solicitam o reforço da dotação orçamental da Ação Social Escolar, o congelamento das propinas e dos preços das cantinas e de residências. O receio é que o abandono escolar aumente, assumem Ana Cabilhas, da FAP, e João Machado, FAL.

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"O ministério encontra-se a estudar medidas que possam mitigar o efeito do aumento da inflação junto dos estudantes e das suas famílias", respondeu o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, quando interpelado se, face à inflação, os valores das bolsas seriam atualizados na proposta de Orçamento do Estado para 2023. Na resposta escrita enviada ao JN, o gabinete de Elvira Fortunato sublinha medidas já aprovadas, como o aumento do limiar de elegibilidade, o alargamento das bolsas "Mais Superior" ou a criação de um complemento, no valor máximo de 250 euros anuais, para apoiar as deslocações de estudantes bolseiros.

Dos requerimentos entregues, 26 332 são de estudantes que o fizeram pela primeira vez, revelou o ministério. Este ano, recorde-se, o Governo também criou a possibilidade de atribuição automática de bolsa para os que ingressaram através do Concurso Nacional de Acesso e estavam abrangidos pelos três primeiros escalões de abono no Ensino Secundário. Dos pedidos feitos pelos alunos abrangidos pelos escalões, "constatou-se que 1150 tinham o escalão 1, 2345 o escalão 2 e 2302 o escalão 3", revelou o ministério.

Atualização do IAS já em janeiro

A presidente da Federação Académica do Porto já enviou ao secretário de Estado do Ensino Superior o pedido para que o IAS (Indexante dos Apoios Sociais) seja atualizado a partir de 1 de janeiro e não só no próximo ano letivo. Ana Cabilhas receia a subida dos preços das refeições nas cantinas e das residências. "Todos os cêntimos contam nos orçamentos das famílias", diz, insistindo que vai ser preciso monitorizar o impacto da inflação, para que "seis meses ou um ano depois de se celebrar um recorde no número de inscritos no Ensino Superior não se registe um retrocesso".

"Não temos a mínima dúvida que, este ano, o abandono pode aumentar", assume João Machado. As associações académicas, garantem ambas, têm recebido muitos mais pedidos de apoio pelos estudantes neste ano letivo, especialmente relativos ao alojamento. As associações pedem a redução das propinas de licenciaturas em, pelo menos, 20% e a regulação das propinas de mestrado, assim como o alargamento das bolsas "Mais Superior" ao segundo ciclo de estudos.

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