Arruada

Pedro Nuno e Montenegro, cada um a puxar pela vitória

Pedro Nuno e Montenegro, cada um a puxar pela vitória

Antigo opositor de Rui Rio foi, no sábado, dar força ao líder, em Espinho. Na mesma cidade, e quase à mesma hora, o ministro apontado como sucessor de António Costa entrou na caravana.

Os dois principais candidatos a primeiro-ministro receberam ontem dois apoios internos de peso. Pedro Nuno Santos, o mais forte candidato à sucessão no PS, ladeou António Costa em Espinho e recusou ser o "papão" que trará a Esquerda para o Governo, como Rui Rio sugeriu há uma semana. Luís Montenegro, antigo opositor interno de Rio, caminhou com o líder do PSD em Santa Maria da Feira, onde prometeu não ser um espinho no trajeto dos sociais-democratas e até ouviu o líder admitir que pode contar com ele para um futuro Governo. Em Espinho, as caravanas não se cruzaram por poucos minutos.

Guerra é passado e agora só há união

Já vão longe os tempos de 2019 em que Luís Montenegro vaticinava "resultados medíocres" a Rui Rio. No sábado, o antigo opositor interno juntou-se a duas arruadas, primeiro em Santa Maria da Feira e depois em Espinho, de onde é natural. "Não foi só por o doutor Rui Rio ir a Espinho, porque eu ia onde quer que fosse", sublinhou Montenegro, revelando que voltará a estar na campanha.

Há cada vez mais confiança na vitória dentro das hostes laranjas e, à medida que a campanha se aproxima do domingo decisivo, mais "barões" vão aparecer. "Há uma coisa que os portugueses estão a verificar nesta campanha que é, por um lado, um desgaste e um desnorte muito significativo por parte do PS e, por outro lado, uma alternativa para governar o país nos próximos anos", continuou Luís Montenegro, recusando falar na ideia de sucessão.

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Sorridente e confiante, Rui Rio ouvia e acenava com a cabeça. Quando teve de falar, agradeceu e passou ao ataque para acusar o PS de "falta de coerência" por ter adiado a votação do orçamento municipal de Lisboa: "Isto prova que negociar com o PS é sempre na corda bamba porque o PS diz uma coisa e rapidamente pode fazer outra. Então se estivermos a falar de reformas estruturais, o PS foge de reformas como o diabo da cruz", atirou.

O presidente do PSD voltou a considerar "estatisticamente impossível" algum partido ter maioria absoluta, mas "quem vai dizer o que quer é o povo português". E depois das eleições, como serão os eventuais acordos de Rui Rio? "Com papel assinado é mais firme e melhor do que 31 de boca", respondeu, convicto.

Pedro Nuno faz esquecer Sócrates

A caravana do PS começou a rumar a Norte e, em Espinho, António Costa tinha à espera um aliado de peso. Pedro Nuno Santos, ministro das Infraestruturas e cabeça de lista por Aveiro, aludiu à hipótese levantada por Rio no debate com Costa - de que o próprio Pedro Nuno poderia estar na calha para subir a primeiro-ministro após as eleições, levando o BE para o Governo - para atirar: "Se o dr. Rui Rio acha que eu sou um papão, só tem uma solução: votar em António Costa".

Mas, depois de enviado o recado na arruada, Pedro Nuno quis sobretudo mostrar que está alinhado com Costa. Tal como o líder tem repetido, também ele apelou à mobilização dos socialistas como forma de alcançar uma "grande maioria". Mas que maioria teria em mente? A resposta estava na ponta da língua: "Maioria absoluta, claro. A maior maioria que pudermos ter para conseguirmos governar com estabilidade".

Costa, interrogado sobre se esta nova geração do PS é mesmo "mais à Esquerda" do que a anterior, falou num "partido plural": "Cada um tem as suas sensibilidades, mas temos um grande sentido de equipa". O secretário-geral fez questão de se mostrar em total sintonia com o seu possível sucessor: "Gosto muito de ter os melhores na minha equipa e gosto muito de ter o Pedro Nuno, porque é um dos melhores que temos".

A presença de Pedro Nuno Santos ajudou a ofuscar o tema José Sócrates - que na véspera, à CNN, disse que Costa deveria ter mais respeito pela sua maioria absoluta. De manhã, em Leiria, e questionado sobre se Sócrates é um "ativo tóxico" para o PS, Costa reagiu: "O que é tóxico é não votarmos, o que é tóxico é não acreditarmos".

Não se pode dizer que a campanha do PS esteja a perder gás - ontem houve banho de multidão -, mas nota-se um entusiasmo mais contido em certos semblantes e uma ligeira apreensão nos próprios discursos de Costa. No comício de Viseu, o líder aludiu mesmo ao agravamento dos números da pandemia para afirmar: "Não estamos em tempo de aventuras. O país já sofreu muito nos últimos dois anos". O discurso foi dedicado a "apelar à memória" quanto aos avanços registados desde 2015 - ano em que a Direita deixou o poder - em matérias como o desemprego, o crescimento económico ou o rendimento. v

O ex-presidente do PSD Luís Filipe Menezes afirmou ontem, durante uma ação de campanha, que já cheira a vitória social-democrata: "Cheira-me a vitória. Não tenho a certeza, não sou como o Partido Socialista, a andar a "boiar na maionese", mas eu acho que se esta dinâmica se mantiver, se não houver erros, o PSD pode vencer". Em contraponto, Menezes vê "muita tristeza" no PS e um António Costa "muito, muito nervoso". Menezes, outrora arqui-inimigo interno de Rui Rio, prometeu participar nas ações em que for convidado.

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