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Pelos caminhos pedestres de Portugal há 7691 quilómetros homologados

Pelos caminhos pedestres de Portugal há 7691 quilómetros homologados

Rota das Aldeias Históricas é uma das maiores do país. A mais extensa está a ser desenvolvida entre Valença e Vila Real de Santo António.

Em cinco anos, quase duplicou o número de quilómetros dos percursos pedestres homologados em Portugal. De 3994, em 2016, passaram a ser 7691, em 2020. Dois terços do total correspondem a pequenas rotas, que têm uma extensão inferior a 30 quilómetros.

"Temos vindo a registar um aumento gradual de quilómetros homologados ao longo dos últimos anos", adianta, ao JN, Rúben Jordão, técnico responsável pelo pedestrianismo e percursos pedestres da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP). Em 2021, serão homologadas mais umas centenas de quilómetros e há mais em desenvolvimento".

A Rota das Aldeias Históricas é, atualmente, a maior grande rota em Portugal, com 600 quilómetros de extensão. O Norte é a região que tem mais percursos certificados e Macedo de Cavaleiros, com 24 pequenas rotas, lidera em termos concelhios.

A maior rota portuguesa, que vai ligar Valença do Minho a Vila Real de Santo António, percorrendo toda a costa atlântica, está ainda em desenvolvimento e só algumas etapas estão já disponíveis.

As autarquias têm vindo a investir mais neste tipo de percursos, de modo a proporcionar às pessoas a possibilidade de "praticar atividades físicas em autonomia e em contacto com a natureza". Rúben Jordão salienta que "a pandemia consciencializou ainda mais para esta necessidade", dado que permite que "não haja tanto contacto entre pessoas".

Por outro lado, com as caminhadas na moda, as câmaras municipais, por exemplo, avançam com este tipo de investimentos para criar oferta turística, potenciando o desenvolvimento local, nomeadamente de setores como a restauração, o alojamento e a venda de produtos locais.

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Milhares de adeptos

De acordo com o técnico da FCMP, "um grupo de pessoas pode ir fazer um percurso de manhã, ficar para almoçar e fazer outro de tarde. Ou então faz um num dia, pernoita e a seguir faz outro". Ou seja, "as opções são muitas" e possibilitam que as pessoas vão para fazer caminhadas, mas depois permaneçam nos concelhos para "descobrir as atividades culturais, religiosas e gastronómicas".

Contabilizar a totalidade dos utilizadores dos percursos em Portugal é uma tarefa que, por enquanto, não é viável, já que o acesso é livre. Porém, Rúben Jordão, estima que sejam "milhares de pessoas diariamente".

Vários estudos nacionais e internacionais mostram que, por exemplo, nos Estados Unidos da América "o pedestrianismo é a segunda modalidade mais praticada a seguir ao campismo". Na Holanda foi feito um estudo que demonstrou que "mais de 6,6 milhões de pessoas praticavam regularmente caminhadas". Estas "geravam mais de mil milhões de euros em receitas a terceiros", nomeadamente "alojamento local, restaurantes, compra de produtos locais, viagens, entre outros setores."

A vantagem das caminhadas nos percursos homologados é que, por não oferecerem grande dificuldade técnica, podem ser feitas por quase todas as pessoas, nomeadamente em família e grupos de amigos. No entanto, Jordão estima que também existam em Portugal milhares de quilómetros de percursos não homologados.

"Somos tão bons nas caminhadas como a pegar no garfo"

É sábado, o dia está bom, e lá vai o grupo "Caminhadas e Tainadas" fazer mais uns quilómetros a pé. É na zona de Vila Real, onde vivem os 10 elementos efetivos, mas muitas vezes vão para outras bandas transmontanas e durienses.

A condição é só uma: primeiro há caminhada e depois há tainada. Sim, que os elementos do grupo prezam muito o exercício físico pela manhã, mas pelam-se por uma bela mesa a seguir com tudo a que têm direito. Javali no pote e leitão são exemplos dos repastos com os quais repõem energias.

O grupo "Caminhadas e Tainadas" é composto por Luís Rego, António Araújo, António Teixeira, José Carvalho, Henrique Monteiro, Jorge Vilela, José Vilela, Jorge Pimenta, Carlos Sequeira e Carlos Morais. Todos com idades entre 40 e 60 anos. Surgiu em março de 2020 com o início da pandemia em Portugal. "A ideia foi poder confraternizar com a natureza, mantendo o distanciamento e tirar as máscaras", lembra Luís Rego.</p>

De lá para cá, nunca mais deixaram de cumprir os objetivos para os quais se reuniram e passaram a convidar uma ou duas pessoas para cada caminhada.

Rego explica que "vão como observadores e para partilharem o espírito de grupo dos mais velhos". Espírito que, mais uma vez, vai para além do exercício físico. "Somos tão bons nas caminhadas como a pegar no garfo", sorri.

Calhou que no dia desta reportagem não estivessem todos, porque alguns tiveram outros compromissos. Os que ficaram em Vila Real (Rego, Araújo, Teixeira e Carvalho) fizeram um percurso mais próximo da cidade e convidaram Lito Antunes e Diogo Rego para os acompanharem.

Cultivar a camaradagem

António Araújo confessa que o grupo está a evoluir. "A maior rota que fizemos foi à volta da barragem do Azibo, com 26 quilómetros".

Graças às caminhadas, nota Araújo, "cultiva-se a camaradagem e partilham-se brincadeiras e experiências de vida". Agora já estão a pensar em novos desafios, que incluem os caminhos de Santiago.

Percursos homologados

Oferecem segurança e sinalização uniforme de acordo com normas internacionais. Permitem a portugueses e estrangeiros fazerem os percursos sem andarem à procura das marcas.

Comodidade

Dispor de caraterísticas comuns permite aos caminheiros desfrutar do que o percurso tem para oferecer, seja ele de âmbito cultural, ambiental, de aventura ou ainda religioso.

Entidades públicas

Atualmente, são as câmara e as comunidades intermunicipais as entidades que mais investem na criação de percursos pedestres. Inicialmente foram clubes e associações.

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