Barcelos

Percorreu o país a pé em 62 dias

Percorreu o país a pé em 62 dias

Adriano Meireles realizou viagem de autoconhecimento e que chama a atenção para a doença de Huntington.

Começou no dia 12 de outubro, em Cevide, Melgaço, o ponto mais a Norte de Portugal, e terminou, a 14 de dezembro, na ilha Deserta na ria Formosa, no território mais a sul do continente. Adriano Meireles, de 29 anos, designer, natural de Barcelos, adepto do voluntariado, cumpriu uma longa viagem de 62 dias, que serviu para autoconhecimento e também para chamar a atenção para a doença de Huntington.

Uma enfermidade degenerativa do sistema nervoso central, de que o avô e o pai de Adriano padeceram, e que o próprio tem "50% de possibilidades" de vir a ter. Após a morte do pai, há cerca de um ano, quis cumprir uma aventura que representasse uma "metáfora". Saiu com local de início e fim marcados, e caminhou ao sabor do improviso, tal como a vida acontece (principalmente nos dias de hoje com a pandemia).

"Pensei em ir do ponto mais a norte ao ponto mais a sul do país continental. Foram cerca de 1080 quilómetros. A primeira fase foi como se fosse uma criança. Tive a ajuda de familiares e amigos, por ser numa região que já conhecia. A partir do Porto, comecei a sair da minha zona de conforto", relata o designer, que contou a sua aventura, passo a passo, na sua página pessoal de Facebook. Os relatos publicou-os sempre acompanhados por fotografias em que surge elevado no ar, representando "um salto de alegria" por ver cumprida mais uma etapa do caminho.

Entre as experiências que mais o marcaram, Adriano Meireles destaca uma na Foz do Sizandro, em que "foi acolhido por pescadores". "Tinham uma casa junto à praia e deixaram-me ficar lá. Fui apanhar mexilhões com eles, andei a cavalo e foi um momento muito interessante", descreve, indicando outro momento especial: "Em Setúbal, conheci uma senhora de 81 anos, num café, que viajou muito. Já viveu na Austrália e em Timor. Escreve livros e é ela própria que os faz manualmente. Ofereceu-me um".

A caminhada terminou no Cabo de Santa Maria, na ilha Deserta, após uma boleia de barco do pessoal que trabalha num farol. E agora de regresso a casa, em Galegos, Santa Maria, Barcelos, Adriano Meireles estuda forma de reunir escritos e fotografias em livro. Da aventura, resultaram lições: "Podemos viver com menos, para conseguir um objetivo é preciso dar o primeiro passo e temos de nos abrir e deixar que os outros no ajudem".

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