Fátima

Peregrinos correm a pagar promessas que estão em falta

Peregrinos correm a pagar promessas que estão em falta

Os caminhos de Fátima voltaram a encher-se de peregrinos e ontem foram vários os grupos de fiéis a chegar ao Santuário, depois de vários quilómetros percorridos, muito sofrimento, mas também muita alegria e alívio por, finalmente, poderem cumprir as promessas atrasadas pelo confinamento.

Alguns regressaram ainda ontem a casa, outros ficaram pela Cova da Iria para participar na primeira peregrinação internacional aniversária do ano com a presença física de peregrinos, que se inicia hoje, às 21.30 horas.

"Tinha uma promessa atrasada e aproveitei para a cumprir agora", confessou ao JN Fernanda Prata, 48 anos, após cerca de 100 quilómetros de caminhada, entre Mira, no distrito de Coimbra, e o Santuário de Fátima. Acompanhada por duas colegas de trabalho, ultrapassou as dificuldades do percurso "a falar, a cantar e até a dançar". As dores nas pernas também criaram algumas complicações, mas a maior dificuldade "foi encontrar onde comer e dormir", por causa das restrições decorrentes da pandemia.

Cientes destas dificuldades, os nove ciclistas que partiram na quarta-feira de manhã de Barcelos, seis deles bombeiros na corporação de Viatodos, fizeram-se acompanhar de um carro de apoio, que lhes assegurou as refeições e um lugar para pernoitar durante os dois dias que demoraram a percorrer os cerca de 320 quilómetros até à Cova da Iria.

Proteção contra fogos

Além de pedirem proteção divina para a época de fogos florestais que se avizinha, os soldados da paz deslocaram-se a Fátima também para "pedir por um companheiro que se encontra doente".

Desde que as celebrações religiosas voltaram a ter a presença dos fiéis, Fátima tem vindo a registar um aumento gradual da afluência de peregrinos, agora sujeitos a novas regras de distanciamento e de proteção individual, lembradas a cada 15 minutos pelo sistema sonoro, em várias línguas.

Com exceção das pequenas aglomerações junto à Capelinha das Aparições, o distanciamento social e o uso de máscara vão sendo cumpridos pela generalidade das pessoas. Mas fruto das novas exigências sanitárias, têm-se gerado filas históricas para o tocheiro com tempos de espera superiores a uma hora.

"Nunca na vida tinha visto uma fila assim para as velas", queixava-se Idália Varanda, 54 anos, acabada de chegar a pé da zona de Cantanhede, uma peregrinação que faz há mais de 20 anos na companhia da irmã - Maria Varandas, 65 anos - que "vem sempre a pão e água".

Este ano tiveram de esperar pelo desconfinamento para cumprir o ritual, iam partir tristes por não poderem assistir à procissão das velas desta noite, mas alimentadas na fé. "Rezo o terço todos os dias, mas aqui sente-se a paz", confessou Maria ao JN.

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