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Recomendação de máscara, certificado e teletrabalho para travar pandemia

Recomendação de máscara, certificado e teletrabalho para travar pandemia

As infeções, internamentos e mortes por covid-19 em Portugal estão em "tendência crescente" e precisam de uma "atenção especial". Especialistas defendem agravamento das medidas, como o uso obrigatório de máscara em lugares fechados e públicos e do certificado digital. A vacinação é parte essencial do controlo da pandemia.

Infeções e mortes em tendência crescente

- Portugal já passou por quatro fases pandémicas, estando agora na quinta vaga;

- Os casos de covid-19 estão a afetar faixas etárias mais jovens. O grupo etário com mais incidência é o até aos nove anos.

- Centro, Algarve e Madeira são as três regiões que já ultrapassaram a incidência de 240 casos por 100 mil habitantes.

- Na maior parte das regiões, os surtos surgem, maioritariamente, em contexto escolar ou de universidades, em contexto laboral ou, no caso do Centro, nos lares e IPSS. O caso do Algarve é diferente: apesar de 38% dos surtos surgirem em contexto escolar, 17% aparecem em contexto familiar e 16% em contexto social e de festas.

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- A taxa de mortalidade (11,1 óbitos por milhão de habitantes) ainda está abaixo do limiar de 20 óbitos do ECDC.

Portugal está "muito melhor", mas é preciso travar o crescimento

- A pandemia tem uma "apresentação sazonal" e Portugal está hoje "muito melhor". O "impacto extraordinário da vacina" fez com que os contágios se passassem a verificar nas faixas etárias mais baixas, que resistem melhor ao vírus. Em consequência, os internamentos diminuíram de forma significativa.

- Desde maio, a adesão dos portugueses à vacina terá poupado mais de 200 mil infeções, mais de 135 mil dias de internamento em enfermaria e 55 mil dias de internamento em UCI. Pouparam-se 2300 vidas.

- A linha dos 240 casos por 100 mil habitantes deverá ser atingida em menos de duas semanas. A dos 480 e 960 podem ser atingidas em um ou dois meses.

- Para não atingir o limite das 255 camas ocupadas, é necessário vacinar praticamente toda a população elegível" antes do final do ano.

80% das pessoas aderiu à dose de reforço

- A efetividade das vacinas administradas em Portugal é de, pelo menos, 50%. No que toca à efetividade das vacinas MRNA em cidadãos de 80 ou mais anos, esta ronda os 73% nos entre os 14 e os 41 dias. Entre os 124 e os 149 cai para 69% e, a partir dos 150 dias, pode descer até aos 15%. Nas faixas etárias mais altas, a efetividade contra a infeção vai decaindo com o tempo.

- "As vacinas são efetivas na redução da doença, em particular quando olhamos para doença grave ou muito grave. Contra infeção é superior a 50% e contra hospitalização é superior a 80%".

- Até agora, já foram vacinados contra a gripe 79% das pessoas acima dos 80 anos, 42% da faixa etária imediatamente abaixo e 20% da população com idades entre os 60 e 69 anos. A distribuição geográfica da vacinação está "equilibrada", exceto no Algarve.

- Cerca de 630 mil pessoas já receberam a dose de reforço da vacina. A adesão é de 80%.

Mais jovens não têm noção do risco

- Criou-se o "mito" de que a população já sabe dominar a covid-19. "A perceção de risco por parte dos mais novos é praticamente nula. A maior parte acha que não está minimamente em risco", alertou.

A questão do "reforço" da vacina "não caiu bem" numa parte importante da população. "Dá a ideia de que nos enganámos na dose".

Proposta de máscara e certificado como medidas gerais

- climatização dos espaços interiores;

- uso do certificado digital;

- autoavaliação do risco;

- promoção de atividades realizadas ao ar livre ou por via remota "sempre que possível";

- uso obrigatório de máscara em ambientes fechados e públicos;

- distanciamento físico com a definição de números máximos de pessoas por metro quadrado

Propostas por setor

- Escolas, comércio, restauração, alojamento, hotelaria e atividades desportivas: apenas o cumprimento das medidas gerais;

- Trabalho: desfasamento de horários e recurso ao teletrabalho "sempre que possível";

- Eventos de grande dimensão: não deverão realizar-se "se não for possível controlá-los" (ou seja, se não for possível garantir que as medidas gerais são aplicadas); os restantes deverão ter a definição de circuitos claros de circulação;

- Circulação em espaços públicos: manutenção de distância e uso de máscara "perante a perceção de que existe risco";

- Convívios familiares: recurso aos autotestes;

- Lares: promoção de certificado digital para utentes, "testagem regular" para funcionários e visitas e promoção de medidas de controlo da infeção;

- Transportes públicos: utilização obrigatória de máscara e ventilação adequada

Costa recebe partidos na terça e quarta-feira

O primeiro-ministro recebe na terça e quarta-feira os partidos com representação parlamentar sobre a situação epidemiológica em Portugal, antes de o Governo aprovar medidas contra a covid-19, o que poderá acontecer no Conselho de Ministros de quinta-feira. Este calendário, que ainda não foi oficialmente comunicado pelo executivo, ficou praticamente fechado após a reunião desta tarde entre especialistas e responsáveis políticos, no Infarmed, em Lisboa, num momento em que o país regista um crescimento das taxas de incidência e de transmissão (Rt) da covid-19.

No final da reunião do Infarmed, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa - ladeado pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e pelo primeiro-ministro, António Costa - afirmou que continua a haver "conjugação total dos órgãos de poder político" na resposta à covid-19, mas escusou-se a falar de medidas, remetendo essa decisão para o Governo, após consulta aos partidos.

Marcelo referiu que iria ter reunião semanal com o primeiro-ministro esta sexta-feira, que lhe iria comunicar "aquilo que o Governo considera que é fundamental" para conter a propagação da covid-19 em Portugal, e "o que depende da competência do Governo, que está em plenitude de funções, o que precisa da intervenção da Assembleia da República".

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