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Investigação

Pessoas LGBTI sofrem violência ao longo da vida 

Pessoas LGBTI sofrem violência ao longo da vida 

Estudo nacional da associação i analisa percursos de vida e impacto das agressões.

As pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexuais (LGBTI) são "vítimas de violência doméstica desde a infância até à velhice, quer por membros da família, quer por pessoas (ex)parceiras". Esta é uma das conclusões do estudo nacional "Íris - Trajetórias de Vida de Pessoas LGBTI Vítimas de Violência Doméstica", desenvolvido pela Associação Plano i e cofinanciado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE), em articulação com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.

O estudo visa caracterizar as trajetórias de vida destas pessoas, com o objetivo de descrever e compreender as especificidades dos seus percursos desenvolvimentais e de vitimação e os respetivos impactos a nível pessoal, familiar e social.

Segundo a investigação, "três em cada 10 vítimas de violência doméstica tiveram que receber tratamento médico na sequência da vitimação sofrida". Contudo, apenas "metade" dos participantes apresentou queixa às autoridades.

"Cerca de 16% das pessoas participantes não-vítimas indicaram ter tido conhecimento, no âmbito da sua atividade, de assassinatos de pessoas LGBT em contexto de violência doméstica".

O estudo revela que as "pessoas trans são aquelas que tendem a estar mais expostas à violência sexual e as pessoas LGB à violência física". Todas as vítimas sofreram violência psicológica.

Em consequência da violência doméstica, as "pessoas LGBTI exibem elevados níveis de sintomatologia clínica", como depressão e ansiedade, demonstrando, ainda assim, "bom ajustamento social".

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Das conclusões ressalta, ainda, a precocidade da violência doméstica. Segundo a associação i, a "infância revela-se como uma das fases do ciclo vital onde as pessoas LGBTI são mais expostas a experiências adversas".

As pessoas LGBTI são discriminadas e vítimas de violência em contextos múltiplos, como a escola e contexto profissional, revela a associação Íris. A etnia, nacionalidade, estatuto migratório, diversidade funcional, entre outros fatores, agravam ainda mais as vulnerabilidades.

À exceção dos serviços especializados, que "são ainda parcos em Portugal", conclui o estudo, a generalidade dos serviços prestados às pessoas LGBTI vítimas de violência doméstica "carece de recursos humanos habilitados e de recursos técnicos específicos". Muitas vítimas sentem-se "discriminadas" quando acedem a serviços de saúde e autoridades policiais.

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