Coimbra

Petição que exige reposição do Ramal da Lousã chega ao Parlamento

Petição que exige reposição do Ramal da Lousã chega ao Parlamento

Uma petição com 8 mil assinaturas de cidadãos do distrito de Coimbra que reclamam a reposição do serviço ferroviário no Ramal da Lousã vai ser entregue na quarta-feira, na Assembleia da República, revelaram, esta terça-feira, os promotores.

Lançada em janeiro pelo jornal Trevim, que desde a sua fundação, em 1967, se destacou na defesa do Ramal da Lousã como via de comunicação determinante para o desenvolvimento da região, no século XX, a petição integra mais de 2 mil subscritores da iniciativa 'online', tendo as restantes assinaturas sido recolhidas em papel nos concelhos de Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra.

Uma delegação encabeçada pelo diretor do quinzenário da Lousã, Pedro Malta, e pelo presidente da cooperativa cultural Trevim, José Orlando Reis, integrando ainda outros apoiantes da causa, será recebida na quarta-feira, às 15 horas, pelo vice-presidente da Assembleia da República José Manuel Pureza, deputado do Bloco de Esquerda eleito por Coimbra.

Sob o lema "Pela urgente reposição do serviço ferroviário no Ramal da Lousã", o documento será também entregue a todos os grupos parlamentares.

De manhã, às 11.30 horas, o grupo de cidadãos será igualmente recebido por um assessor do primeiro-ministro, António Costa.

"Esta é uma causa muito sentida pela população com ligações à região, não apenas pelos residentes diretamente afetados pela perda de um transporte ferroviário tão importante para a mobilidade de milhares de pessoas", disse, esta terça-feira, José Orlando Reis à agência Lusa.

Para Pedro Malta, a reposição do serviço ferroviário "tem de merecer a maior prioridade política, por ser um ato de elementar justiça e uma grande necessidade" para as populações.

A linha que ligava Coimbra a Serpins, na Lousã, passando por Miranda e servindo ainda utentes dos concelhos de Góis e Vila Nova de Poiares, foi desmantelada para obras em finais de 2009, ao abrigo de um projeto que visava a instalação de um sistema de metro na ferrovia e na área urbana de Coimbra.

"Quando pela Europa e em tantos países se promove a ferrovia, não se pode aceitar que aqui se destrua uma linha centenária, afetando gravemente a mobilidade de tantos milhares de pessoas", reclamam os peticionários, com o Ramal da Lousã encerrado há mais de seis anos.

A petição é dirigida ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, ao primeiro-ministro e aos executivos dos municípios de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo, acionistas da Metro Mondego, sociedade de capitais públicos, criada há 20 anos e liderada pelo Estado.

Os mais de 8.000 subscritores manifestam "forte desagrado" pela perda de "um meio de transporte tão importante", alertando para o "escandaloso abandono, há vários anos, de obras que importaram em mais de 100 milhões de euros, realizadas com recurso ao endividamento das empresas públicas Refer e CP".

Iniciadas em 2009, pelo último Governo de José Sócrates, as obras no Ramal da Lousã foram depois suspensas por razões financeiras, tendo os utentes passado a viajar de autocarro, com o Estado a pagar vários milhões de euros por estes transportes alternativos.

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