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Pico de Covid-19 em Portugal terá ocorrido em março

Pico de Covid-19 em Portugal terá ocorrido em março

A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou, este sábado, que o máximo de incidência de Covid-19 "terá ficado no passado, entre 23 e 25 de março", e que a taxa de contágio baixou para 0,91.

"Entre 21 de fevereiro e 16 de março, o número médio de casos gerados a partir de uma pessoa infetada era de 2,08. Com a introdução das medidas de contenção verificou-se, nos últimos cinco dias, uma redução do risco de transmissibilidade, que se encontra em 0,91, ou seja, cada caso confirmado gerou em média menos de um caso de transmissão", disse a ministra, acrescentando que se estima que "o máximo de incidência terá ficado no passado, entre os dias 23 e 25 de março". "São números que nos encorajam, mas também nos responsabilizam", alertou.

Marta Temido aproveitou ainda para apelar à responsabilidade de todos "ao nível do comportamento individual". "O planeamento de quando e como devemos proteger as nossas comunidades nas fases seguintes está a ser preparado com ponderação", afirmou, deixando "um agradecimento muito especial aos profissionais de saúde". "Os desafios que se colocam ao Serviço Nacional de Saúde estão longe de estar ultrapassados".

A ministra acrescentou que haverá uma inversão da lógica na resposta do SNS, no que toca a situações clínicas não relacionadas com a Covid-19. "O que iremos fazer é um reagendamento da atividade assistencial não realizada, dando prioridade aos casos que têm indicação clínica para tal".

Marta Temido assinalou ainda que "os riscos de recrudescimento da doença" prevalecem e alertou que "erradicar a Covid-19 não parece possível no curto e médio prazo", pelo que o país deve preparar-se para a possibilidade de "alternar períodos de maior contenção com fases de maior alívio".

"Isso terá de ser feito não porque nos enganámos na estratégia ou porque erramos, mas porque essa alternância, essa adaptação constante de comportamentos poderá mesmo ser o melhor caminho possível para todos", frisou a ministra, assinalando que "com esforço de todos, está a ser possível trazer o número de novos casos para níveis aos quais o Serviço Nacional de Saúde tem conseguido responder".

Óbito mais velho era pessoa com 103 anos

Por sua vez, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, revelou alguns dados sobre a mortalidade. "Em Portugal não estamos a contar a causa básica morte, mas o evento terminal. Portanto, o número de mortes corresponde ao número de infetados à data da morte", explicou, acrescentando que "o óbito mais novo ocorreu numa pessoa com 40 anos e o óbito mais velho numa pessoa com 103 anos. A média é de 83,5".

Sobre a questão dos lares, a ministra da Saúde frisou que "Alverca é uma situação que está a ser acompanhada de muito perto" e que a estratégia "foi intensificada" nos últimos dias. "Esperamos na primeira semana de maio ter concluídos todos os testes a profissionais que trabalham nessas estruturas", que "têm neste momento uma população de utentes que rondará os quase 100 mil utentes e 60 mil profissionais".

Acerca da retoma da vida social, esta "será feita gradualmente" e procurando um "equilíbrio" com o "risco de recrudescimento da pandemia", alertaram Marta Temido e Graça Freitas.

Média do número de óbitos em hospitais é de 84%

A diretora-geral da Saúde afirmou que o número de óbitos que ocorre em hospital é de 84%, em média. "Relativamente às questões sobre os cadáveres, tem sido uma grande preocupação nossa, temos estado há várias semanas a trabalhar com os outros ministérios, com os municípios que gerem as redes de crematórios, de cemitérios".

"Têm sido acauteladas as medidas necessárias para esse possível aumento. A questão das câmaras frigoríficas tem sido uma cooperação muito boa com o Ministério da Justiça, para retirar corpos das enfermarias e manter a dignidade na morte, o respeito pelo falecido e pela família. Há aqui muitas coisas que terão de mudar se o número de óbitos mudar, mas neste momento esse número está estável", acrescentou Graça Freitas.

Quanto à retoma da atividade das creches, em maio, a ministra Marta Temido relembrou que estas estruturas, tais como os lares e os hospitais, "não são todas iguais". "As autoridades de saúde fazem esse levantamento de regras, essa disseminação de regras, mas todos os responsáveis públicos têm de estar muito atentos em todos estes casos".

"Até encontrarmos uma vacina ou uma cura, nada será como antes"

Quanto à imunidade, a diretora-geral da Saúde lembrou que "este é um vírus novo, sobre o qual se sabe ainda muito pouco". "Até à data conhecemos sete coronavírus, depois tivemos o SARS, o do Médio Oriente e agora este coronavírus. A capacidade de o nosso corpo criar anticorpos leva alguns dias, mas não se fica por aqui", explicou Graça Freitas.

"Ainda temos que ter testes que permitam medir estas coisas. Desenvolveram-se muitos testes ditos serológicos ao longo destes meses, mas o Ministério da Saúde, o Instituto Ricardo Jorge e a Direção-Geral da Saúde têm sido muito cautelosos em relação a estes testes", acrescentou. "Há aqui muitas questões em relação a este vírus. Estamos alinhados com as orientações da Organização Mundial da Saúde".

Relativamente ao acesso a máscaras pela generalidade da população, a ministra da Saúde disse que "as iniciativas de distribuição de kits avulsos, no momento em que ainda enfrentamos alguma escassez". "Mas esperamos que possa haver um funcionamento normal do mercado, em que possamos abastecer-nos com normalidade. As máscaras poderão ser disponibilizadas pelos próprios espaços, mas se o mercado funcionar com regularidade, qualquer um poderá adquirir". acrescentou.

Sobre o adiamento da vida social, as "preocupações prendem-se com a necessidade de equilíbrio e com a retoma gradual da vida em conjunto". "Até encontrarmos uma vacina ou uma cura, nada será como antes", concluiu a ministra.

Mais 30 mortes nas últimas 24 horas

O número de vítimas mortais da Covid-19 em Portugal subiu este sábado para 687, com mais 30 mortes nas últimas 24 horas. O total de casos confirmados de infeção é de 19.685, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

A destacar no boletim é o número de recuperados, que subiu de 519 para 610, um aumento de 91 casos. Há 5166 pessoas a aguardar os resultados de testes.

Relativamente ao número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, os dados da DGS revelam que há mais 663 casos do que na sexta-feira, representando uma subida de 3,5%.

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (393), seguida pelo Centro (157), pela região de Lisboa e Vale Tejo (124), do Algarve (9) dos Açores (4), adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24 horas de sexta-feira.

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