Gondomar

Pipocas, balões e carinho ajudam a vacinar crianças: "Vais ver que não dói nada"

Pipocas, balões e carinho ajudam a vacinar crianças: "Vais ver que não dói nada"

Muitos não conseguem disfarçar o nervosismo de ser vacinados contra a covid-19 pela primeira vez. E nem mesmo as boas-vindas da boneca "Filigraninha" e os conselhos das enfermeiras parecem ajudar a dissipar a tensão. O tamanho da agulha é a maior das preocupações.

O primeiro dia da vacinação das crianças de 9, 10 e 11 anos contra a covid-19 teve uma casa composta no centro de vacinação de Gondomar, localizado no Pavilhão Multiusos. A receber os mais pequenos estava a mascote "Filigraninha", que acena e encaminha os pais e filhos para a receção e tira fotografias com os menos envergonhados e nervosos.

Lá dentro, e já depois de preencher o questionário da DGS, estão seis postos de vacinação com enfermeiros preparados para acalmar os mais tensos. "Vais ver que não vai doer nada", dizem a Maria Inês, de 11 anos. E dão-lhe mais informação: "vais tomar a Pfizer".

A jovem vem acompanhada pelo pai, Francisco Magalhães. "Não houve dúvida nenhuma, fui-me informando pelas notícias que saíam sobre a vacinação", explica ao JN. "Os miúdos convivem muito uns com os outros e podem transportar a doença para casa", justificou. Para Maria Inês, a vacina é importante porque a protege a si, mas também aos idosos. Aos mais aflitos com o momento, a jovem diz: "Venham que não dói nada".

Até às 10 horas deste sábado, foram imunizadas 300 crianças com a primeira dose, num total de 600 agendamentos previstos para o centro de vacinação de Gondomar. No domingo, o número sobe para 700. O horário de funcionamento é entre as 8 e as 14 horas. Os números correspondem à "expectativa" de jovens entre os 10 e 11 anos residentes no concelho, avança Cristina Pascoal, diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Gondomar.

Entre a receção e o recobro há monitores a passar vídeos infantis, ajudantes do Pai Natal a dar balões, a boneca Filigraninha e um animado mágico. Também há quem se sente em mesas com os pais e jogue ao dominó. "Quem é das 10.50 horas pode sair", avisa um elemento do centro de vacinação. "Estamos livres", grita o mágico, entre pulos e palmas. À saída, a boca dos mais pequenos é adoçada com pipocas. "É um dia especial", justifica a equipa do centro.

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As perguntas sobre as agulhas

A enfermeira Ana Isabel Lima adianta que os menores sem agendamento podem dirigir-se ao Pavilhão Multiusos e receber a primeira dose. Minutos mais tarde, foi a vez de António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde confirmar que os centros de vacinação estarão abertos durante a tarde para vacinar as crianças de 9, 10 e 11 anos - a faixa etária calendarizada para este fim de semana, de 18 e 19 de dezembro.

Se as dúvidas dos pais a esta altura concentram-se na ocorrência de sintomas e na data da segunda dose, as questões das crianças já são mais curiosas. "Vai doer", "qual o tamanho da agulha" e "a agulha é para bebés" são alguns dos exemplos. Os profissionais de saúde ouvidos pelo JN dizem que o processo está "a correr bem", apesar dos casos de nervosismo. A responsável Cristina Pascoal refere que não foram registados "efeitos adversos".

A descontração da mãe Vânia Leite contrasta com a do filho Hugo, de 11 anos, que estava nervoso por receber a primeira dose. "É uma mais-valia, é a mesma coisa que fazer a vacina da hepatite e do tétano quando nascem. Esta é mais uma", afirma. A progenitora refere que falou com a pediatra, muito devido às opiniões diversas sobre a imunização dos mais novos. "Já teve problemas respiratórios, portanto a vacina é boa para o futuro dele".

A mãe de Maria Portela confessa que a filha de 11 anos, esteve muito disponível para a vacinação, uma vez que as amigas de 12 anos já estão imunizadas. "É importante que ela esteja vacinada, até porque vai fazer uma viagem na Páscoa e precisa de ter as vacinas", explica. "Era o momento ideal e queríamos que fosse o mais rápido possível".

Para este sábado e domingo, foram realizados cerca de 77 mil pedidos de agendamento para crianças entre os 9 e os 11 anos, de acordo com o Ministério de Saúde. Para os próximos fins de semana seguem-se as faixas etárias mais jovens, abaixo dos 9 anos. De 5 de fevereiro a 13 de março vão ser administradas as segundas doses.

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