Conferência JN

Plano de investimentos na ferrovia é "manta de retalhos", acusa o empresário Henrique Neto

Plano de investimentos na ferrovia é "manta de retalhos", acusa o empresário Henrique Neto

Henrique Neto, empresário e ex-deputado socialista, acusa o Governo de ser "imaturo" e "impreparado". E aponta várias falhas aos investimentos anunciados para a ferrovia, nomeadamente à prometida linha de alta velocidade que ligará Lisboa ao Porto.

Os investimentos anunciados pelo Governo, esta semana, para a ferrovia portuguesa, no âmbito do Plano de Investimentos 2030, estão a merecer críticas do empresário Henrique Neto, que acusa o Executivo de António Costa de ter apresentado um plano que é "uma manta de retalhos". "Depois de anos a afirmar que a bitola [distância entre carris] UIC, vulgo europeia, não era necessária, porque havia tecnologia que ia substituir uma ligação à Europa - o que sempre desmentimos -, [o Governo] afirma que num futuro próximo, não definido, mudará para a bitola UIC", começou por enquadrar Henrique Neto, que participou, esta sexta-feira de manhã, na conferência JN "Aveiro no Centro da reposta à pandemia", que decorre no Centro de Congressos de Aveiro.

Para o empresário, o problema prende-se com o facto de, segundo o projeto anunciado pelo Governo, "a nova linha depender do traçado na linha existente, em bitola ibérica". "Ou seja, gastaremos dinheiro duas vezes. Uma em bitola ibérica e outra para mudar para a bitola UIC", explicou o também ex-deputado.

A questão da diferença entre bitolas traz, de acordo com o empresário, outros problemas: "Como já não se fazem no mundo comboios de bitola ibérica, a compra de novo material será de fabrico especial, caro e que demorará muitos anos. Ou, em alternativa, comprar material de sucata espanhola, que não serve para andar nos prometidos 250 quilómetros por hora (km/h)".

Sem ligação a Madrid

Henrique Neto sublinhou, também, que os planos "não falam da ligação a Madrid, do Corredor Atlântico de ligação à Europa, planeada pela União Europeia e aceite por todos os governos desde António Guterres". E afirmou que "nada é esclarecido com o que vai acontecer com a nossa exportação de mercadorias para a Europa, que é a principal necessidade da economia portuguesa". "Com esta manta de retalhos, o Governo manda para o lixo 200 milhões de euros, que terá de pagar pelo projeto encomendado por José Sócrates, para a linha do Poceirão com Caia, destinada a comboios de alta velocidade de 300 a 350 km/h", acusou o empresário.

Para o ex-deputado, "investir duas vezes em novas vias", devido à diferença de bitolas - sendo que apenas a europeia permite atingir velocidades de 250 km/h - terá como consequências "um custo absurdo e um prazo de perder de vista". Henrique Neto alega que há uma "política governamental de anúncios a conta-gotas, incongruentes e sem um plano global, com a definição de datas e de custos alternativos". "Trata-se de um governo impreparado e que não tem que dar satisfações a ninguém das suas decisões", concluiu.

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