Ensino

Politécnicos voltam às aulas em junho só para disciplinas práticas e alguns exames

Politécnicos voltam às aulas em junho só para disciplinas práticas e alguns exames

Institutos preparam aquisição conjunta de máscaras às empresas nacionais. Universidades vão decidir até 2 de maio em que moldes vão fazer o regresso.

Cada instituição aprovará o seu plano até 2 de maio, mas a maioria não corresponderá ao apelo lançado pelo Governo para os estudantes voltarem a ter aulas presenciais a partir de maio. Nos politécnicos, esse eventual retorno será a partir de junho e apenas para disciplinas práticas e exames que não possam ser feitos à distância.

"São planos complexos e minuciosos", frisa Pedro Dominguinhos, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). Será um retorno gradual, até para garantir a equidade aos estudantes deslocados, e o ensino à distância continuará a ser a norma até final do semestre.

"Todas as atividades de avaliação contínua programadas devem ser finalizadas" e só as unidades curriculares práticas ou exames implicarão um retorno, explica. As instituições estão a fazer o levantamento de quantos estudantes devem retornar, para definirem o quando e as condições.

Regras no próximo ano

O uso de máscaras obrigatório para estudantes, professores e funcionários já é uma certeza. Falta concluir a negociação do processo de aquisição. Os institutos estão a preparar-se para lançar aquisições conjuntas diretamente às empresas nacionais que vão produzir máscaras e "têm esperança" de conseguir receber apoio de fundos comunitários para fazer face a essa despesa.

PUB

Também será preciso garantir a higienização dos espaços, assim como o distanciamento social que implicará a divisão das turmas e reorganização dos horários, que podem estender-se até à noite. A medição da temperatura a estudantes e docentes à entrada e saída, ou a criação de circuitos específicos nos corredores para cada grupo também podem ser medidas aplicadas, assume Pedro Dominguinhos. Regras a que todos terão de se habituar porque o mais certo é continuarem no próximo ano letivo, alerta.

"O mais certo é que no próximo ano vamos ter atividades mistas [presenciais e à distância] e devemos estar preparados para não termos as 15 semanas letivas com os mesmos horários. Será um puzzle difícil de construir. É um enorme desafio que tem de começar já a ser planeado", defende.

Plano em curso

Até 2 de maio, as universidades vão definir os seus planos. Cada uma decidirá que tipo de aulas e de alunos retomarão atividades presenciais a partir de 4 de maio, explica o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP).No caso da UTAD, revela Fontainhas Fernandes, o plano terá várias facetas. Do lado dos professores e administrativos, por exemplo, é necessário saber quem pertence a um grupo de risco ou está a acompanhar os filhos. Do lado dos alunos, pode haver situações em que não compense ir a Vila Real, sem que todas as aulas sejam presenciais.

É o caso dos estudantes estrangeiros ou deslocados (70% dos discentes). Depois é necessário saber em que disciplinas é "estritamente necessário" o ensino presencial. As que puderem, continuarão por videoconferência, pelo menos este ano letivo. Não pode haver decisões uniformes, diz Fontainhas Fernandes. Tudo será avaliado "caso a caso". No global das universidades, uma possibilidade é avançarem primeiro as pós-graduações, como doutoramentos.

U. Porto vai testar imunidade no regresso às aulas

A partir de maio, a Universidade do Porto vai disponibilizar gratuitamente testes serológicos a todos os professores, trabalhadores não docentes e estudantes que necessitem de retomar as atividades presenciais. "Fundamentalmente, vamos ficar com uma caracterização imunológica bem definida desta população e ter a oportunidade de ir seguindo ao longo do tempo, de forma a termos uma imagem muito precisa de como evolui a imunidade. Assim, ficamos com o nosso próprio retrato que é extremamente importante", frisa o reitor António de Sousa Pereira.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG