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Políticos, médicos e padres: as frases deles sobre a eutanásia

Políticos, médicos e padres: as frases deles sobre a eutanásia

O Parlamento vota na quinta-feira cinco projetos de lei para despenalizar e regular a morte medicamente assistida em Portugal. Recorde algumas frases de políticos, médicos e figuras da Igreja Católica sobre o debate em torno da eutanásia.

"O Presidente [da República] não se pronuncia até ao último segundo e no último segundo, naturalmente, decide o que tem de decidir [em relação à eutanásia]."
Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República

"É um imperativo do Estado, através dos seus instrumentos de intervenção política, assumir que a despenalização da eutanásia deve ser um direito consagrado no ordenamento jurídico português."
Rui Rio, presidente do PSD

"A despenalização e legislação da morte assistida é a garantia do direito a uma morte digna que cabe ao Estado assegurar. Não é um direito que considere referendável porque diz respeito à liberdade de cada uma e de cada um de defender e fazer respeitar uma decisão e uma condição (ou a sua negação) que é sobretudo individual."
Joacine Katar Moreira, deputada não inscrita

"O CDS é um partido pela vida, onde o Estado tem um papel cuidador, que promove os apoios sociais, os apoios ao domicílio, mas também uma rede de cuidados paliativos que, neste momento, só abrange 30% dos portugueses. É por essa razão que o CDS é fundamentalmente contra a eutanásia."
Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS-PP

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"Considero a legalização da eutanásia a decisão mais grave para o futuro da nossa sociedade que a Assembleia da República pode tomar. É abrir uma porta a abusos na questão da vida ou da morte de consequências assustadoras."
Cavaco Silva, ex-presidente da República

"Meter este tema [eutanásia] como moeda de troca para manter um poder pela aprovação de um Orçamento de Estado, é algo de absolutamente inaceitável do ponto de vista ético e de uma sociedade. Se foi isto que aconteceu, é uma mancha no percurso político de António Costa. Porque nem tudo é aceitável, nem tudo é suscetível de ser aceite, nem tudo não tem preço."
Manuela Ferreira Leite, antiga ministra do PSD

"A eutanásia não consiste em alguém recusar um tratamento, porque já o pode fazer, ou que quer desligar a máquina, porque já o pode fazer, ou que não quer ser sujeito a mais operações, porque já o pode fazer. A eutanásia é pedir para ser morto. É pedir para que lhe seja ministrado algo que mate essa pessoa. (...) É por isso que isto vai muito para além da liberdade."
Adolfo Mesquita Nunes, ex-dirigente do CDS-PP

"Não matem. Procurem que esse princípio do prolongamento da vida humana se concretize também na nossa pátria. Estamos a falar do direito a uma vida digna e de ser acompanhada, em que o Estado tem responsabilidades. Não [pode] descartar-se, é o Estado assumir as responsabilidades para, através de mecanismos que existem e serviços públicos, garantir que as pessoas não tenham o sofrimento que conduza a essa decisão de acabar com a vida."
Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP

"A matéria sobre eutanásia não é suscetível em momento algum de negociação de voto, mas apenas de ponderação livre sobre como lidar com o sofrimento insuportável de uma pessoa."
Ana Catarina Mendes, líder parlamentar do PS

"O que está em causa é dar o direito a quem está em sofrimento profundo - e sabe, porque os médicos o atestam, que não tem nenhum horizonte outro que não esse sofrimento profundo -, de abreviar o seu fim, quando a pessoa está consciente daquilo que está a pedir e o quer, para respeitarmos a dignidade e o fim de vida de cada um e de cada uma".
Coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins

"Recusamos manter ou iniciar tratamentos inúteis e sabemos as situações em que a boa prática é deixar morrer. Conhecemos as vantagens dos cuidados paliativos, mas também os seus limites. E conhecemos, ainda, as situações em que respeitar a vontade e o sentido do doente, e o seu direito constitucional à autodeterminação, significam aceitar e praticar a antecipação da sua morte - face a um pedido informado, consciente e reiterado -, não fosse a lei considerar como crime essa atitude exclusivamente movida pela compaixão humanista".
Petição subscrita por médicos em defesa da despenalização da eutanásia

"Algumas pessoas ainda não perceberam que eutanásia é matar, o que é diferente de deixar morrer e não se prolongar a vida de forma artificial e desproporcional, que é algo que o código deontológico médico proíbe."
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos

"Legalizar a morte provocada (assistida) é um retrocesso civilizacional, ao desprezar os valores humanistas e solidários, assim como os conceitos éticos e morais de uma sociedade que deve ter a vida como objetivo primordial."
José Martins Nunes, médico e antigo secretário de Estado da Saúde

"Estamos a focar a nossa preocupação na eutanásia, na colocação de instrumentos do Estado para matar pessoas, quando na verdade levamos décadas de atraso a fazer o nosso trabalho, naquilo que é a proteção da vida, a proteção da dignidade humana, da proteção da autonomia, todas as coisas que nos são muito caras."
Duarte Soares, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos

"A eutanásia passiva é a paragem de todo o tratamento, o que se faz todos os dias nos hospitais, a eutanásia ativa é darmos a palavra ao doente, considerarmos a autonomia e a autodeterminação do indivíduo que está em sofrimento físico e mental, que está a ver degradar toda a sua condição e a lei não permita que peça para terminar com a sua própria vida."
Jaime Teixeira Mendes, presidente da Associação de Médicos Pelo Direito à Saúde

"As duas coisas [cuidados paliativos e morte assistida] não são nada antagónicas e não são nada contraditórias."
Bruno Maia, médico e coordenador do Movimento Cívico Direito a Morrer com Dignidade

"Se eu não pude ser ouvido, por definição, no início da minha vida, em contrapartida gostaria de ter o direito de ser ouvido no fim da minha vida, porque a morte sempre fez parte da vida."
Júlio Machado Vaz, médico psiquiatra

"A nossa sociedade, mais do que preocupar-se com legislação deste teor [despenalização da eutanásia], devia antes preocupar-se com o alargamento da rede de cuidados continuados e paliativos a nível nacional, como meios que têm a 'finalidade de tornar mais suportáveis o sofrimento na fase final da doença e assegurar ao paciente um acompanhamento adequado' (Evangelium Vitae)."
António Moiteiro, bispo de Viseu

"[A despenalização da eutanásia] pode ser episodicamente aprovada, mas nós cá estamos, como seres humanos, nesta frente comum por uma humanidade melhor. [O tema] não se pode tratar de ânimo leve."
Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa

"A vida humana nunca é referendável."
Manuel Linda, bispo do Porto

"A opção mais digna contra a eutanásia está nos cuidados paliativos, como compromisso de proximidade, respeito e cuidado da vida humana até ao seu fim natural."
Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa

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