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Porto com menor abstenção do país, Lisboa única a crescer em participação

Porto com menor abstenção do país, Lisboa única a crescer em participação

O Porto foi o círculo eleitoral onde a abstenção nas legislativas de domingo foi mais baixa, apesar de ter subido em todo país, com a excepção de Lisboa, segundo dados da Direcção-Geral da Administração Interna.

Os dados divulgados no sítio da Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI) indicam que Lisboa foi o único distrito do país onde o número de votantes subiu, em comparação com as eleições legislativas de 2009, passando de uma participação de 61,87% para 62,19%.

O Porto, apesar de ter crescido em termos de abstenção, passou a ser o distrito com a mais baixa percentagem de abstencionistas, ao atingir 36,78% de ausentes do ato eleitoral, cerca de quatro pontos abaixo da média nacional.

Em 2009, o círculo de Braga tinha sido o mais participativo no ato eleitoral, com 65,23% dos cidadãos inscritos a terem ido votar. Na altura, o Porto ficava-se pelos 65,10% de votantes.

O professor da Universidade de Aveiro Carlos Jalali, autor do livro "Partidos e Democracia em Portugal, 1974-2005", considera que uma possibilidade para a subida da participação, em particular nos grandes círculos, se pode dever à presença no boletim de voto dos pequenos partidos.

"Uma explicação possível para isso é a capacidade de mobilização por parte dos partidos num círculo eleitoral que é mais proporcional. É muito mais fácil eleger um deputado em Lisboa do que em Portalegre", afirma à Lusa Carlos Jalali, o que significa que um apoiante de partidos como o PAN ou o MRPP pode ter sentido que o seu contributo "faria uma diferença".

O professor universitário constata que "sistemas mais proporcionais incentivam ao voto" exactamente por darem essa sensação de valorização do voto individual.

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Quando à tendência de crescimento da abstenção, Jalali fala de "uma percepção da inutilidade do voto, o sentimento de que o seu voto não iria contribuir para alterar aquele que é o rumo do país".

Acima de tudo, indica o académico, "o que esta subida [da abstenção] reflecte é um certo desfasamento entre o lado da oferta partidária e o lado da procura por parte dos cidadãos".

Com 226 dos 230 mandatos atribuídos - os quatro mandatos dos círculos Europa e Fora da Europa serão conhecidos dia 15 - a afluência registada em território nacional foi de 58,9%, o que resulta numa abstenção de 41,1.

Nas legislativas de 2009, a taxa de abstencionistas já tinha sido elevada: 40,32%.

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