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Porto composta mais do que o resto do país

Porto composta mais do que o resto do país

Há 33 525 pessoas no Grande Porto a darem uma nova vida ao lixo orgânico que teria como destino as incineradoras ou aterros. Em Lisboa, a Câmara já distribuiu 2104 compostores domésticos e, na Região Oeste, a Valorsul entregou quatro mil. Destes, 94 foram para Loures.

Um pouco por todo o país vão surgindo centros de compostagem ou compostores comunitários onde cascas de frutas, legumes crus, borras de café, cascas de ovos, folhas, ervas secas e daninhas são transformadas em adubo. Há mais pessoas interessadas em compostar e este aumento sente-se mais no Norte, empenhado há vários anos em reduzir o lixo orgânico produzido.

Porto, Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Póvoa de Varzim e Valongo começaram a receber compostores domésticos em 2007, através do projeto "Terra à terra" da Lipor. Neste momento, o Serviço de Gestão de Resíduos já entregou 15 443 compostores caseiros e 69 comunitários. Na capital, os compostores chegaram mais tarde, com o projeto "Lisboa a Compostar". Foram instalados, há um ano, cinco comunitários - nas freguesias de Olivais, Ajuda, Campolide e Areeiro - e distribuídos 2104 domésticos. Até agora, 85 pessoas aderiram.

Cascais e Oeiras à frente

Cascais e Oeiras andam há mais tempo preocupadas com a pegada ecológica. Oeiras foi pioneira, tendo iniciado o projeto Compostagem Doméstica em 1992. Desde então, a Câmara começou a oferecer compostores, tendo agora 2 mil pessoas no programa. Em Cascais, foram entregues 300 compostores domésticos, no final de 2019, e a autarquia prevê oferecer mais 700. Em 2009, foi pioneira na criação de hortas urbanas, já com compostores.

Sintra começou há menos tempo a distribuir o equipamento que permite diminuir o lixo enviado para aterros. Até agora, há 360 pessoas interessadas em fazer compostagem no maior município da Grande Lisboa. Em Odivelas, a autarquia também instalou, recentemente, dois compostores comunitários. No resto do país, já há cidades com centros de compostagem de resíduos verdes produzidos pelas autarquias. Desde 2005, Coimbra "poupou 9000 euros" com o desvio destes resíduos.

Para Paulo Lucas, da associação ambientalista Zero, "é preciso fazer mais". "Não basta distribuir compostores. Tem de se verificar se as pessoas continuam a utilizá-los e se o estão a fazer bem. Os números são muito empolados", observa.

A Lipor assegura que "10% dos participantes" continuam a usar o compostor e a Câmara de Lisboa diz que "50% dos utilizadores estão satisfeitos com o projeto", mas para Lucas faltam dados. "Alguém tem de controlar se as regras estão a ser cumpridas", frisa.

O ambientalista acredita que as autarquias podiam estar a fazer "muito mais". "Há uma grande insensibilidade dos municípios quanto aos custos dos resíduos urbanos. A compostagem permite uma redução de custos, de transporte e tratamento do lixo, muito significativa". "Em menos de três anos recuperar-se-ia o investimento nos compostores com o que se pouparia no desvio do lixo", diz.

600 toneladas/dia

Só em Lisboa são recolhidas diariamente mais de 600 toneladas de lixo, sendo 40% deste biodegradável.

Menos para aterro

A Lipor desvia, por ano, 6390 toneladas de biorresíduos dos aterros. Em Lisboa, por cada pessoa que usa compostor, recuperam-se 290 quilos de resíduos verdes anualmente.

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