Saúde

Porto e Oeiras perto de receber rastreio precoce do VIH

Porto e Oeiras perto de receber rastreio precoce do VIH

O programa Focus permitiu identificar 1087 diagnósticos do vírus da imunodeficiência humana e das hepatites B e C.

Os testes ao VIH e às hepatites virais poderão tornar-se comuns em mais unidades portuguesas, como hospitais e centros de saúde, e em organizações não governamentais (ONG). O programa Focus, da empresa farmacêutica Gilead, vigora atualmente em três locais: Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (Sesaram), Hospital de Cascais e Grupo de Ativistas em Tratamento.

Ainda este ano, a iniciativa de rastreio e de deteção precoce do vírus da imunodeficiência humana (VIH), que causa a sida, e das hepatites B e C deverá chegar aos concelhos do Porto e de Oeiras. Falta apenas "finalizar os contratos", adianta Diogo Medina, responsável do programa Focus.

Desde setembro de 2018 que o projeto da farmacêutica, feito em colaboração com Espanha, permitiu realizar cerca de 168 mil testes em território nacional. Do rastreio resultaram 1087 novos diagnósticos das três patologias. Diogo Medina refere ao JN que a testagem precoce permitiu "acelerar todos os cuidados de saúde" e evitar esperar semanas ou meses para ter a confirmação de infeção por um dos três vírus.

Computador "decide"

Em Cascais, o processo de despistagem ao VIH e às hepatites virais é automático. É o computador que decide a seleção dos utentes e não os profissionais de saúde. Após uma pessoa entrar num serviço de urgência do hospital e caso necessite de realizar uma análise ao sangue, o sistema informático vai "ponderar", de acordo com os dados, se se deve ou não fazer um teste.

O objetivo é que a despistagem seja cada vez mais natural na população geral e não apenas na de risco acrescido. "A maioria não procura fazer o teste ao VIH com a frequência que seria a ideal, o que só piora uma situação de diagnóstico tardio", diz Diogo Medina. O último relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS), com dados de 2019, registou 778 novos casos de infeção por VIH em Portugal.

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A experiência em três unidades nacionais do Focus justificou, recentemente, a criação da primeira comunidade de prática portuguesa sobre rastreio e deteção precoce de VIH e hepatites virais. Cada local poderá partilhar o que pratica dentro de portas e encontrar soluções para combater as patologias. O projeto prevê a sinergia com Espanha. No total, os dois países já realizaram 380 mil testes.

Despistagem para educar e eliminar preconceitos

O sistema automático para realizar o teste ao VIH e às hepatites virais só acontece com o consentimento do utente. De acordo com o responsável do Focus, mais de 95% aceitaram fazer a despistagem nas unidades. Diogo Medina afirma que a iniciativa visa "normalizar" o rastreio e "não estigmatizar".

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